<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104</id><updated>2011-11-17T13:54:52.383-08:00</updated><title type='text'>Pirâmide Invertida</title><subtitle type='html'>Diário (ou quase) de um repórter mal-humorado</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>30</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-3769850276440995527</id><published>2007-07-23T00:58:00.000-07:00</published><updated>2007-10-06T18:09:15.804-07:00</updated><title type='text'>Instrutor de magia de Raul Seixas e Paulo Coelho foi investigado por tráfico</title><content type='html'>O professor de inglês Marcelo Ramos Motta tinha 45 anos na ocasião de sua passagem pela polícia nos anos da ditadura militar. Motta, no entanto, não foi preso por sua ligação com o movimento de cunho libertário idealizado pelo inglês Edward Alexander “Aleister” Crowley e abraçado por Raul Seixas e Paulo Coelho – seus pupilos mais famosos, que tiveram problemas sérios com a polícia política. Sequer chegou a ser preso, aliás. A investigação sobre ele durou quase um mês, sem lances emocionantes ou noites no xadrez, foi conduzida pela Delegacia de Entorpecentes (DPE), não pela temida Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS), e nada tinha a ver com magia ou correntes filosóficas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a Secretaria de Segurança Pública do Estado da Guanabara, Motta era um ilustre desconhecido até que o Departamento Geral de Investigações (DGIE), recebesse as informações materializadas no ofício SSP nº 12.594, datado de 12 de novembro de 1976, em papel que traz o timbre CONFIDENCIAL na borda inferior. Nele, o delegado José Nicanor de Almeida, então diretor-geral do DGIE, informa que, no dia anterior, o departamento recebera a informação de que o cidadão Marcelo Ramos Motta traficava drogas e aliciava adolescentes para o sexo através do vício:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Este DEPARTAMENTO GERAL recebeu e retransmite o seguinte informe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARCELO RAMOS MOTTA, professor da Cultura Inglesa, filiais Tijuca e Madureira, seria traficante de entorpecentes. O nominado é proprietário do auto marca Opala, placa PV 60-06. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Duas estudantes, do citado estabelecimento de ensino, LILIAN e VERA, foram levadas ao vício pelo citado professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Armazena no apartamento onde reside, na rua Saint Roman, nº 259/102, SUBSTÂNCIA TÓXICA, inclusive LSD, dentro de um cofre, podendo ser encontrado, ainda, atrás de uma estante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Geralmente, as iniciadas no vício, são possuídas pelo professor.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A denúncia era precisa quanto a nome, profissão, endereço e até marca e placa do veículo de Motta. Na Divisão de Arquivos, para onde foi despachado por Almeida, o documento foi metamorfoseado no Informe nº 03988 DARQ/DGIE, também confidencial, encaminhado com urgência pelo diretor-geral do Departamento Geral de Polícia Civil (DGPC), delegado Sérgio Rodrigues, à DPE. Lá, a missão recaiu sobre o delegado Valterson Alves Botelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 6 de dezembro, Motta teve seu apartamento em Copacabana visitado por agentes do DPE, que, munidos de mandado de busca e apreensão – formalidade freqüentemente dispensada naqueles tempos – vasculharam-no em busca de qualquer indício traços de substâncias tóxicas. Não acharam. Nada de LSD dentro de cofre, nem atrás de estante. Os agentes o convidaram a prestar esclarecimentos sobre aquela situação, no dia seguinte, perante o delegado. Retornaram decepcionados à base, supõe-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O auto de qualificação de Marcelo Ramos Motta, lavrado pelo escrivão Valter Nogueira nessa visita à DPE, informa que este era filho de Samuel Catarino Motta e Elzira Ramos Catarino Motta, brasileiro, natural do RJ, nascido em 27 de junho de 1931, branco, sexo masculino, professor de inglês da Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa, sabia ler e escrever. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os investigadores Osvaldo David Ribeiro e Evaldo Nunes Viana assistiam o interrogatório e serviam de testemunhas. O delegado começou circundando o assunto principal. Perguntou há quanto tempo Motta ensinava na Cultura Inglesa. Começara, respondeu o depoente, na filial da Tijuca há dois anos e, naquele ano, conseguira uma vaga na filial de Madureira. O professor confirmou conhecer as alunas Lílian e Vera, duas colegas de turma na filial de Madureira, que já não estavam mais sob seus cuidados acadêmicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre Vera, nada mais disse. Sobre Lílian, no entanto, Motta falou bem mais em seu Termo de Declarações: que ela fora três vezes a seu apartamento, mas não houvera qualquer relação sexual, “&lt;em&gt;normal ou anormal&lt;/em&gt;”. Beijaram-se e trocaram carícias, apenas. Disse que como ela tinha apenas “&lt;em&gt;dezessete anos e meio&lt;/em&gt;”, não lhe oferecera bebidas alcoólicas. Também negou ter oferecido qualquer tipo de droga, mas confessou, com perigosa sinceridade: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Que durante o período em que viveu nos Estados Unidos, oito anos e meio, ali usou, por medida de estudo dos efeitos mentais, de maconha e de cocaína, mas nunca usou tais drogas habitualmente; que jamais fez qualquer outra experiência com drogas entorpecentes depois que retornou ao Brasil; que inclusive, nunca escondeu de seus conhecidos as experiências aludidas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o delegado Botelho perguntou-lhe a que atribuía a denúncia que fora feita contra si, Motta não titubeou: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Em razão de minha religião, visto que já registrei uma sociedade místico-maçônica, estando procurando novos membros, o que, por certo, causa irritação a outras organizações religiosas análogas. Sou também completamente anti-comunista e anti-extrema-direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, ele acrescentou que chegou a ser detido em Baton Rouge, na Louisiana, por porte de maconha, mas a acusação não ficou comprovada e não houve processo. Achando ter ouvido o suficiente, o delegado encerrou o depoimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três dias depois, 10 de dezembro, Valterson Alves Botelho concluiu, em relatório reservado ao titular da DPE (cujo nome não é citado no documento), que “&lt;em&gt;nada ficou apurado quanto a ser o nacional Marcelo Ramos Motta traficante ou ter na sua posse substâncias entorpecentes&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No documento, o delegado narra as inconsistências na denúncia, como a não-existência do cofre ou do contato extra-escolar de Vera com Motta. Menciona que as duas – identificadas como Lílian do Nascimento de Barros e Vera Lúcia Moreira de Souza – foram entrevistadas e negaram que tivessem sido “&lt;em&gt;levadas ao vício&lt;/em&gt;”. Botelho encerra o relatório ressaltando que as buscas no apartamento e no Opala de Motta também foram infrutíferas, e despede-se com um seco “&lt;em&gt;Nada mais&lt;/em&gt;”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-3769850276440995527?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/3769850276440995527/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=3769850276440995527&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/3769850276440995527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/3769850276440995527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2007/07/marcelo-motta-foi-investiogado-porde.html' title='Instrutor de magia de Raul Seixas e Paulo Coelho foi investigado por tráfico'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-3471545528923149331</id><published>2007-05-03T18:57:00.000-07:00</published><updated>2007-05-03T19:01:09.174-07:00</updated><title type='text'>Que o mistério descanse em paz</title><content type='html'>&lt;em&gt;Revelado o maior segredo do jornalismo de todos os tempos! W. Mark Felt, número dois do FBI, foi o informante que levou os repórteres do jornal The Washington Post Carl Bernstein e Bob Woodward a derrubar o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, em 1974.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desfez-se assim, com pompa e circunstância nas manchetes dos melhores jornalões do ramo, o sigilo da fonte mais famosa da história dos escândalos políticos mundiais. A bomba mereceu tratamento VIP durante vários dias. Oremos a São João Gutemberg, portanto, para que a superexposição do caso que deu novo fôlego ao hoje popular jornalismo investigativo ajude a desidratar as grosseiras deturpações dos acontecimentos que resultaram na renúncia do sr. Richard Milhous Nixon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Republicano de boa cepa, Nixon fazia campanha forte e endinheirada pelo segundo mandato quando Bernard Baker, Virgilio González, Eugenio Martinez, James McCord Jr. e Frank Angelo Fiorini (também conhecido como Frank Anthony Sturgis) invadiram a sede do Comitê Nacional do Partido Democrata no Edifício Watergate. Reduzir a série de reportagens que jogaram a pá de cal em suas pretensões às revelações feitas pelo Garganta Profunda a Woodward insulta os mais de dois anos de dedicação praticamente exclusiva da dupla dinâmica do Post, até então um jornal de importância mediana na capital dos EUA, como sua própria dona, Katharine Meyer Graham, admitiu na autobiografia “Uma história pessoal”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definido por seu criador, Stilson Hutchins, como “um jornal diário democrático”, The Washington Post chegou aos anos 1970 comandado por Benjamin Crowninshield Bradlee, que tinha começado a carreira por lá em 1948. Depois de um período afastado, em passagens pela U.S. Information and Educational Exchange (USIE, órgão governamental que produz a Voz do Brasil de lá) e pela revista Newsweek, voltou ao Post em agosto de 1965. Ao assumir o cargo de editor-chefe, em decidiu que competiria com o poderoso The New York Times. Bradlee é o único do corpo de editores do jornal retratado em maior profundidade no filme de Alan Pakula, “Todos os homens do presidente” (All the President’s men, 1976).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do editor-chefe durão e do filme, todos lembraram com entusiasmo. Não é para menos. Em 1977, na 49ª edição dos Academy Awards, Jason Robards levou o Oscar de melhor ator coadjuvante pela sua interpretação de Bradlee. O filme também rendeu exemplares da estatueta careca a William Goldman, pelo roteiro adaptado que  fez do livro homônimo de Bernstein e Woodward, lançado dois anos antes; a Geoge Jenkins e George Gaines, pela direção de arte e decoração dos sets; e a Arthur Piantadosi, Les Fresholtz, Rick Alexander e James Webb, pelo som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve ainda indicações para o Pakula, o editor, Robert  Wolfe, o produtor, Walter Clobenz, e a atriz Jane Alexander, que interpretava a bibliotecária Judy Hoback. E para abrilhantar o papel de Woodward, ainda tinha o bonitão Robert Redford. Bernstein, a outra parte da criatura “Woodstein” – apelido coletivo dado pelos colegas da redação do Post devido à proximidade siamesa que os dois mantinham durante a apuração do caso – ganharia vida na tela na pele do talentoso-ainda-que-narigudo-e-anti-galã Dustin Hoffman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, a película comete a suprema injustiça de limar, visando dar maior simplicidade à trama, o corpo de editores sem o qual os dois repórteres não teriam liberdade para conduzir suas pesquisas e entrevistas. Por conseguinte, são privados de seus louros o editor-gerente do jornal, Howard Simons (inventor do apelido famoso do informante), o editor Metropolitano, Harry Rosenfeld, e o editor do Distrito de Columbia, Barry Sussman. As contribuições de cada um para a série de reportagens estão descritas no livro “Todos os homens do presidente”, editado no Brasil em 1976, a reboque do filme-pipoca de sucesso, pela Livraria Francisco Alves Editora S.A. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pena que, ao que parece, ninguém deu muita bola para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura pouparia muita gente dessa visão torta de que foram os jornalistas que “desvendaram” a ligação daquele crime com o primeiro escalão da administração da Casa Branca, como proclamam orgulhosamente os despachos das agências traduzidos nos diários daqui. O nome dos dois repórteres está na boca do povo, ninguém sequer ouviu falar da trinca de promotores Donald Campbell, Earl Silbert e Seymour Glanzer. Do senador Sam Erwin. Ou do juiz John Sirica. Uma pena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos compor merecidas odes ao jornalismo investigativo da melhor qualidade praticado pelos profissionais do Post que fizeram história, se for o caso. Todavia, por mais que faça bem aos nossos egos mostrar que podemos substituir, com eficácia até maior, certas autoridades constituídas, precisamos lembrar que o FBI conduzia investigações sobre o caso. As reportagens da dupla tiveram, de fato, importância crucial para evitar que o gabinete de Nixon conseguisse conduzir com sucesso sua “operação-abafa” e culpar os cubanos anticastristas de Miami. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia ainda a chiadeira democrata. O primeiro a abrir a boca, como eles mesmos contam no livro, foi o diretor nacional do Partido Democrata, Lawrence O’Brien. Quando ainda nem se sabia os nomes reais dos invasores, O’Brien fuzilava, em uma coletiva em Washington: “(a invasão) levanta a mais hedionda dúvida sobre a integridade do processo político que jamais me foi dado encontrar no curso de meus vinte e cinco anos de atividade política. Um simples desmentido, por parte do diretor de campanha do sr. Richard Nixon não será suficiente para dissipar tais dúvidas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a intrépida dupla fez, basicamente, foi descobrir o que as pessoas diziam aos investigadores quando interrogadas e ligar as peças. E fizeram isso não porque o Garganta Profunda lhes contou, como Wooward sugere, mas porque bateram perna dentro e fora do horário de serviço, tiveram um talento fenomenal para convencer as pessoas a se abrirem a respeito e uma persistência quase desrespeitosa ao abordar quem procurava evitá-los. O papel do informante secreto do ex-oficial da Marinha transformado em jornalista foi confirmar e contextualizar diversas informações, mas ele praticamente só se manifestava quando procurado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E só era procurado porque por meio do trabalho duro, Bernstein e Woodward conseguiam acompanhar a direção que as investigações seguiam, e às vezes, antecipá-la. Isso depois de começarem o caso sendo pegos com as calças arriadas: foram furados no dia seguinte ao arrombamento pela Associated Press, que enviou despacho afirmando que James McCord trabalhava para o comitê de reeleição de Nixon. Bernstein, que se auto-designou responsável por apurar os perfis dos arrombadores enquanto Woodward acompanhava os primeiros interrogatórios deles diante do meritíssimo juiz James E. Belsen, esqueceu McCord depois que Woodward ligou do tribunal anunciando que este tinha se confessado ex-agente da CIA.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É para lá de falsa a percepção de que os dois monopolizaram as revelações bombásticas da cobertura. Quem soube primeiro da ligação entre os arrombadores e o consultor da Casa Branca E. Howard Hunt Jr. foi o repórter policial da madrugada do Post, Eugene Bachinski. Uma de suas muitas fontes lhe passou a informação de que dois caderninhos de telefones apreendidos com os presos faziam referência a Hunt, um dos fiéis e zelosos seguidores do presidente. O New York Times furou-os, entre outras, na descoberta da origem do dinheiro que financiou a operação fracassada de sabotagem da campanha democrata, em 31 de julho de 1972. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faltam exemplos de como os outros veículos também deram suas contribuições, apesar de somente o Washington Post ter investido pesado na história desde o início, e ainda por cima apontando o dedo para o gabinete presidencial. O que nos leva a outro pré-conceito terrível sobre a repercussão deste trabalho na época. Nixon e seus asseclas se disseram vítimas de uma campanha difamatória do jornal, que tinha como editor-chefe ninguém menos que um dos melhores amigos do ícone democrata John Fitzgerald Kennedy – argumento que serve também para comprovar que políticos não são todos iguais somente abaixo do Equador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até renunciar, Nixon negou ter aprovado ou mesmo sabido do extenso rol de atividades heterodoxas que seus subordinados desenvolviam para perturbar a campanha democrata. Bernstein e Woodward eram literalmente esculachados nos desmentidos lidos pelo porta-voz da Casa Branca, Ronald Ziegler. Quando vieram à tona fitas gravadas pelo próprio presidente, o batom na cueca se tornou indelével.  Ziegler teve de pedir desculpas. O republicano Bob Dole, o mesmo que concorreu há pouco tempo, à presidência dos EUA, classificou o Post de “parceiro (dos democratas) na arte de enlamear” e não teve igual cortesia com os jornalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso sem contar as escutas telefônicas, vigilância, intimidação a que eles foram submetidos, etc etc etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revelada a face do Garganta Profunda, bem como de suas motivações, aliás, pouquíssimo abnegadas, faço votos que possamos algum dia derrubar essa muralha de mistificações que envolve qualquer menção ao caso. Pouco importa se Felt estava magoado por ter sido preterido na sucessão do todo-poderoso do FBI, J. Edgar Hoover, se queria proteger a imagem do “Bureau” ou coisa que o valha. Se Woodward tinha códigos elaborados para se encontrar com o ex-espião levemente paranóico. E daí? O papel do Garganta Profunda na apuração foi limitado e não forneceu aos repórteres as informações-chave sobre o que estava acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quanto tempo vamos continuar valorizando a fonte que Woodward cultivou por seu passado milico, em vez de discutirmos melhor, por exemplo, o papel de Carl Bernstein, que era o veterano da dupla e foi quem levou a praticamente todas as descobertas importantes? Bernstein tinha doze anos de jornalismo e seis no Post, enquanto Woodward estava no jornal há um ano; fora reprovado em sua primeira tentativa de ingressar em uma redação, num teste de admissão, por Rosenfeld, editor que mais anos tarde lhe orientaria durante o Watergate. Aliás, antes de se tornarem parceiros, a cobertura deles foi uma competição acirrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impresso ou na tela, “Todos os homens do presidente” relata como eles conduziram a apuração do caso Watergate, mas os dois lançaram, no mesmo ano, outro livro contando em detalhes como foi o longo desenrolar das investigações que forçaram Nixon a pedir a toalha antes de ser chutado do cargo, manobra que Fernando Collor de Mello aprendeu e tentou sem sucesso repetir por aqui, em 1992. Chama-se “Os últimos dias” e também foi lançado pela Editora Francisco Alves. Trocando em miúdos... existem toneladas de lições de bom jornalismo na cobertura de Watergate. Que tal debater as positivas?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-3471545528923149331?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/3471545528923149331/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=3471545528923149331&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/3471545528923149331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/3471545528923149331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2007/05/que-o-mistrio-descanse-em-paz.html' title='Que o mistério descanse em paz'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-2931541257466170057</id><published>2007-05-03T18:49:00.000-07:00</published><updated>2007-05-03T18:50:37.445-07:00</updated><title type='text'>Anatomia de um monstro</title><content type='html'>Foi uma gestação demorada, a do Monstro. Trinta e dois anos e oito meses, desde a concepção de seu esqueleto pelo nono presidente civil da República, o advogado Washington Luís Pereira de Souza, até que o general Humberto de Alencar Castello Branco lhe fornecesse a musculatura e as presas imprescindíveis para que cumprisse sua missão sagrada: identificar e exterminar subversivos comunistas. O Monstro ficou famoso por uma sigla de três letras que acossou adeptos e simpatizantes do marxismo nos mais distintos segmentos da sociedade, do operário ao estudantil, passando pelo político, artístico e religioso. SNI, abreviatura para Servi-ço Nacional de Informações. Para os íntimos, no entanto, era apenas o Serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente quase octogenário, rebatizado Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ele vive um momento de profundas dúvidas. Os homens que combateu com ardor por mais de 20 anos chegaram ao poder pelo voto popular. O Presidente da República é um sindicalista que o Monstro deve se arrepender amargamente de ter menosprezado em 1977, chamado Luís Inácio Lula da Silva. O chefe da Casa Civil, um ex-estudante universitário com curso de guerrilha em Cuba, José Dirceu de Oliveira e Silva, que deixou o País em 1969 num avião com mais 14 ho-mens acusados de terrorismo. Qual será seu futuro nesse cenário improvável?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre isso, o jornalista Lucas Figueiredo prefere não tecer hipóteses. Em Ministério do Silêncio – A história do serviço secreto brasileiro de Washington Luís a Lula 1927-2005 (Editora Record, 2005, 591 páginas, preço médio R$ 50), o repórter do jornal Estado de Minas, prêmio Esso por seu trabalho sobre a “máfia dos vampiros” do Ministério da Saúde, dedica-se a contar com riqueza de detalhes e análises a trajetória do principal órgão da comunidade de informações brasileira. A pesquisa, segundo o autor relata no prefácio, consumiu sete anos e resultou em 26 quilos de documentos sigilosos abrangendo o período de 1944 a 2003, além de 120 horas de entrevistas com agentes e ex-agentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dividido em seis partes ordenadas cronologicamente, Ministério do Silêncio mostra como o serviço secreto brasileiro passou de inócuo fórum de discussões requentadas sobre a segu-rança do Estado a instrumento poderoso na guerra contra as organizações revolucionárias “vermelhas”, e como ficou perdido quando os antigos inimigos se tornaram patrões. É ilustra-do, conforme os cânones do bom livro-reportagem, com fotos dos principais personagens e fac-símiles de trechos dos relatórios, estudos e demais papéis a que o autor teve acesso. Mas bem que podia trazer mais íntegras dos tesouros que Figueiredo garimpou em arquivos empo-eirados espalhados pelas bibliotecas do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somando as informações datadas desde a primeira encarnação do Serviço como Conse-lho Nacional de Defesa, passando pela fase do Serviço de Federal de Informações e Contra-Informação (Scifi), à realidade sócio-político de cada época, o jornalista demonstra com clareza a evolução de sua influência na vida do País. Sem deixar que o volume de fatos e datas atrapa-lhe a compreensão da história, não se limita a listar nomes de diretores do órgão e suas biogra-fias, ou a recontar seus momentos mais embaraçosos – que não foram poucos e obras anterio-res como a série Ilusões Armadas, de Elio Gaspari, exploraram em profundidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Figueiredo interpreta e contextualiza a trajetória do SNI com precisão. A certa altura, destaca que o serviço secreto foi esboçado, legalmente instalado e efetivamente implantado por três presidentes eleitos democraticamente: Washington Luís, o marechal Eurico Gaspar Dutra (em que pese o fato de ser militar, venceu o pleito em 1946) e Juscelino Kubitschek de Olivei-ra. Ainda que seja verdade, a afirmativa não deve soar como condenação inapelável, já que du-rante todo o período de novembro de 1927 a abril de 1964, o Serviço não fez muito mais do que violar o direito de privacidade dos cidadãos e produzir relatórios mornos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o golpe perpetrado pelos militares que apearam João Belchior Marques Goulart do poder, o Monstro veio à luz. Todo-poderoso e escudado por uma legislação que lhe permitia atividade ampla e sem interferências indesejadas, o SNI passou a ter como missão auxiliar o governo dos militares a impedir que os agentes subversivos fizessem o País dar os passos defi-nitivos em direção ao comunismo totalitário que dominara Rússia, China e Cuba. Para tal, foi dotado de agentes oriundos dos quadros militares, treinados em sua maioria no Estados Uni-dos, onde florescia a paranóia anticomunista que marcou a Guerra Fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na infância, foi tutelado pelo general Golbery do Couto e Silva, o Bruxo, integrante do grupo de oficiais do Exército conhecido como “o pessoal da Sorbonne” nos corredores da Es-cola Superior de Guerra (ESG). Da mesma facção que Golbery vinha o general Humberto de Alencar Castello Branco, primeiro presidente do ciclo de governantes militares que se encerra-ria em 1985. Entre outras coisas, o Bruxo deu forma à Doutrina de Segurança Nacional que se tornou o Evangelho dos “homens de informações”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua experiência com o ramo começara ainda na Segunda Guerra Mundial, com os cur-sos na academia militar de Fort Leavenworth, no Kansas, em que aprendeu a lidar com os co-munistas. Veterano do Scifi, que passou a coordenar em 1961, por convite do então presidente Jânio da Silva Quadros (curiosamente, outro civil democraticamente eleito), o general Golbery tinha a total confiança do presidente Castello Branco. Dela soube se aproveitar para fazer com que o novo SNI fosse uma agência de espionagem sem paralelo no mundo livre ocidental, com mais poderes que seus parentes nos Estados Unidos, França e Grã-Bretanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Serviço cuidaria da coleta de informações interna e externamente, coisa que só tinha precedente em regimes como o próprio estado totalitário comunista cuja implantação no Brasil se pretendia impedir. Seu chefe teria status de ministro de Estado, as verbas aplicadas eram substanciais para a época, e o órgão poderia solicitar – em caráter irrecusável, obviamente – a colaboração de quaisquer servidores públicos que lhe aprouvesse. Não haveria, claro, qualquer controle externo. Por razões que só as democracias conhecem, tal projeto foi aprovado no par-lamento e veio a ser regulamentado, depois, por um decreto que ainda por cima deu para o Serviço uma prerrogativa do Ministério da Justiça, a de conceder porte de armas.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A queda do general Castello Branco em 1967 seria, portanto, também a sua derrocada. Ou pelo menos, assim pareceu, à época. De reinado breve, mas marcante, o general Golbery foi substituído na chefia do SNI em 15 de março daquele ano pelo general Emílio Garrastazu Médici, expoente do grupo dos “duros” do presidente Artur da Costa e Silva. Se o Satânico Dr. Go – como era conhecido o artífice do ideário repressivo dos anos de chumbo – colocou para funcionar de fato o Serviço, o general Emílio Médici cuidou de espalhá-lo pelo país, através das Divisões de Segurança e Informações (DSIs) e Assessorias de Segurança e Informações (ASIs) que instalou nos órgãos públicos federais para serem olhos e ouvidos do SNI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O general Costa e Silva expandiu a linhagem da “comunidade de informações” (desig-nação preferida pelos próprios agentes, segundo o autor), dando vida ao Centro de Informa-ções do Exército (CIE), menos de dois meses depois de tomar posse. Enquanto o irmão mais novo e impetuoso se dedicava ao extermínio dos focos de guerrilheiros urbanos no varejo, o Serviço atuava politicamente. Seu chefe, o general Médici, era um dos que pressionava os cole-gas de farda do gabinete presidencial para atacar sem piedade os inimigos subversivos que apa-reciam na forma de estudantes, operários e até militares descontentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto fez o cabeça do SNI pelo fechamento do regime que acabou ungido como her-deiro do comandante dos “duros”, o general Costa e Silva, quando este foi abatido por uma isquemia cerebral no fim de 1969. Sua ascensão levou o Monstro ao centro decisório do gover-no, pouco depois de este ter completado cinco anos de existência. Precisava do poder para li-quidar os grupos armados que não só atormentavam o governo nas capitais como partiam para a guerrilha rural no Pará. O combate foi feroz, deixou dezenas de mortos (do outro lado, bem entendido) mas acabou com o SNI e seus parentes – o CIE, os centros de informação da Ma-rinha (Cenimar) e Aeronáutica (Cisa), além do Dops e dos DOI-CODIs – vitoriosos e o mo-vimento “contra-revolucionário” comunista, destroçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem inimigo concreto à vista e com uma estrutura hipertrofiada dotada de controle quase total da vida burocrática do País, o Serviço passou a fabricar ameaças à segurança nacional para continuar se fazendo útil. À medida que inchava, chegando aos 5 mil funcionários, mais de cem vezes o que tinha em 1946, assistia o início do processo “lento, gradual e seguro” da abertura política, no governo do general Ernesto Geisel torná-lo obsoleto. Ainda mais, o novo ocupante do Planalto, numa manobra hábil, trouxe de volta o general Golbery, desafeto do general Médici desde que se recusara a transmitir a chefia do SNI em 1967. E o Bruxo retorna-va convencido que era hora de desmontar a comunidade de informações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os preparativos do gabinete da presidência para restaurar a normalidade democrática chocaram-se com as mortes ruidosas de presos políticos como o jornalista Vladimir Herzog e o operário Manuel Fiel Filho, no DOI-Codi de São Paulo, que acabaram resultando na demis-são do comandante do III Exército, Ednardo Ávila de Melo, e do ministro do Exército, Sylvio Frota. Pouco mudou com a saída do general Geisel, principalmente porque escolheu como sucessor justamente o então chefe do SNI, general João Baptista de Oliveira Figueiredo. A le-aldade de Figueiredo para o Serviço e seus antigos companheiros – turma da qual Geisel não fazia parte – foi mais forte que aquela que nutria por seu comandante-em-chefe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A agonia provocada pela falta de um inimigo tornava-se aguda para o SNI depois de promulgada a Lei de Anistia, em 1979. Supondo uma cobertura maior do que teriam do Palá-cio do Planalto, os radicais da direita perpetraram atentados contra a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 1980, vitimando a secretária Lyda Monteiro da Silva, e o Riocentro, du-rante as comemorações do Dia dos Trabalhadores. Este último, que vitimou um dos homens da comunidade de informações, o sargento Guilherme Pereira do Rosário, o Wagner do DOI fluminense, sepultou as chances de Figueiredo de domar as rédeas do Serviço e deu o pretexto para o general Golbery deixar o governo disparando sua célebre frase sobre o SNI: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Criei um monstro”, constatava o Bruxo, mais de 15 anos depois do jornalista Edmun-do Moniz, do Correio da Manhã, ter alertado o País com um editorial intitulado “A criação do monstro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A transição democrática não foi fácil. O Serviço tentou emplacar candidato à sucessão do general Figueiredo – o coronel Mário Andreazza – mas ele acabou derrotado por Paulo Ma-luf na convenção do PDS. Tentou desestabilizar a campanha de Tancredo Neves, associando-o a comunistas, mas a farsa também não vingou. Quando depois de 21 anos de generais no po-der, o Brasil veria a volta de um civil ao cargo mais alto da República, o SNI temeu por uma onda de revanchismo, e obteve do líder mineiro do MDB a promessa solene de que não have-ria perseguições aos militares que pudessem ter “se desviado dos ideais” do regime militar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tancredo Neves não viveu para cumprir sua promessa, e seu sucessor, o vice-presidente José Ribamar Sarney, aceitou de bom grado a ajuda do chefe do SNI, general Ivan de Souza Mendes, para tomar posse mesmo com o descontentamento de algumas parcelas do meio militar. O Serviço aparentemente abandonou a violência ao mesmo tempo em que se man-teve num papel fundamental de abastecer o presidente com informações sobre os agitadores do meio sindical, especialmente um certo torneiro mecânico de São Bernardo do Campo. E ainda passou incólume pela ameaça de extinção na Assembléia Constituinte de 1988.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas eleições, viu-se entre a cruz e a caldeirinha. Lula disputava a presidência com outro de seus desafetos, o alagoano Fernando Collor de Mello, que prometia a todo custo dissolvê-lo. Prometeu, mas não cumpriu. Collor rebaixou o Serviço, retirando-lhe o status de ministério de que gozava desde 1964, cortou verbas e entregou-o a um civil. Manteve, contudo, seu cam-po de atuação abrangente e absolutamente livre de qualquer monitoramento. Só com o presi-dente Fernando Henrique Cardoso o Serviço retomou um pouco da moral antiga, ainda que sob novo nome – Agência Brasileira de Inteligência (Abin) – e estrutura adaptada aos novos tem-pos. E para compreendê-lo, Ministério do Silêncio é obrigatório.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;publicado no Jornal do Commercio, 2005&lt;/em&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-2931541257466170057?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/2931541257466170057/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=2931541257466170057&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/2931541257466170057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/2931541257466170057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2007/05/anatomia-de-um-monstro.html' title='Anatomia de um monstro'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-160695309023038792</id><published>2007-04-30T17:55:00.001-07:00</published><updated>2007-05-01T14:18:24.929-07:00</updated><title type='text'>A Geni das TVs, e de turbante</title><content type='html'>Acusada por Israel de anti-semita, pelos EUA de anti-americana, e de adotar posturas “claramente contrárias ao governo” por Egito, Síria, Jordânia, Marrocos, Sudão, Bahrain e Iraque (nas versões Saddam e pós-Saddam), a Al-Jazeera mais parece a versão &lt;em&gt;news broadcast&lt;/em&gt; da Geni de Chico Buarque. Todos se aproveitam dela, e não têm pudores em enchê-la de porrada uma vez consumado o abuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As grandes redes deram ampla divulgação (ao modo deles, claro) dos vídeos obtidos pela rede para satanizar Osama bin Laden e a Al-Qaeda, enquanto fecham os olhos para as violências cometidas contra seus profissionais ou mesmo se juntam ao coro dos que a apontam como porta-voz do terrorismo. É o preço que se paga por ter uma linha editorial que desagrada dos &lt;em&gt;ashkenazis&lt;/em&gt; aos &lt;em&gt;pashtuns&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Al-Jazeera nasceu no Qatar em novembro de 1996, das cinzas da BBC Arabic Television, fechada sete meses antes devido a uma “pequena discordância” entre os ingleses e os patrocinadores sauditas – a tentativa de censura a um documentário sobre execuções judiciais na Arábia Saudita. Hoje, emprega cerca de 350 jornalistas, sendo 30 correspondentes internacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundada pelo Emir do Qatar, xeique Hamad bin Khalifa al-Thani, a rede começou transmitindo apenas seis horas por dia. No ano seguinte, já haviam passado para 12 horas, e, em 1999, chegaram às 24 horas sem pausa. Só veio a ser conhecida do povão, contudo, quando levou ao ar aquilo que as redes americanas seriam depois proibidas pelo governo de transmitir: a palavra do homem que, supostamente, ordenou o ataque de 11 de setembro de 2001.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu papel no conflito árabe-israelense lhe valeu a condenação do ex-primeiro-ministro Shimon Peres de “incitar o ódio” contra judeus e “encorajar o terrorismo”. Em outubro de 2002, o secretário de Estado/escravo-submisso Colin Powell (que a chamou de “irresponsável”) foi reclamar ao Emir, pedindo mudança na cobertura. Levou de volta uma merecida banana e uma frase de efeito: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nosso juiz é o público”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enganam-se os sharonetes, no entanto, se pensam que os repórteres da Al-Jazeera são recebidos a doce de coco pelos governos árabes. Nos últimos anos, a rede e seus profissionais foram alvos das mais covardes e violentas tentativas de censura, vindas de todos os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pretendo tratar da Síria e da Arábia Saudita porque o buraco lá é bem mais embaixo. Bashar Al-Assad e o rei Fahd bin Abdulaziz al-Saud preferem, em vez de simplesmente censurar, usar a Al-Jazeera para identificar e prender os opositores de seus respectivos regimes. Ser fonte da Al-Jazeera lá é crime. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, vejamos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em agosto de 2002, o ministro da Informação da Jordânia, Muhammad Adwan, cassou a licença da Al-Jazeera para atuar no país, sob acusação de “provocar sedição no reino” e difamar a família real. Segundo Adwan explicou em entrevista à Agence France Presse, a rede “ultrapassou todos os limites da decência em seus programas ao atacar os líderes da nação e sua nobreza”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso porque convidaram para um debate político um professor americano de origem palestina que afirmou com todas as letras que a família Hussein é subordinada aos interesses americanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em novembro do mesmo ano, o Kuwait seguiu o exemplo da Jordânia. Fechou, pela segunda e última vez, o escritório da rede por lá. O motivo? Reportaram, como convém, que um quarto do país foi entregue ao controle americano à guisa de “espaço para manobras militares” para a “Guerra do Golfo, parte II – A vingança do filho”. &lt;br /&gt;Por outro lado, no Bahrain, foram proibidos de cobrir as eleições municipais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ministro da Informação, Nabil Yacub el-Hamer, acusa a Al-Jazeera de estar “&lt;em&gt;infiltrated by Zionists&lt;/em&gt;”. Na onda, foram censurados também cinco websites mantidos pela oposição no país. As autoridades informaram que eles eram “plataformas para espalhar notícias tendenciosas, rumores e mentiras”. Diferem em algo das americanas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dezembro de 2005, o Sudão também aderiu à moda. Policiais invadiram o escritório da rede em Khartoum, detiveram o chefe da sucursal, o jornalista Islam Salih, depois julgado e condenado a um mês de prisão e multa de 3,2 mil euros, e confiscaram equipamento sob o pretexto (tão falso quanto uma nota de dois dólares) que o maquinário não teria situação regular perante a alfândega. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motivo de fato? A Al-Jazeera levou ao ar reportagens sobre a escalada da tuberculose entre os trabalhadores braçais nas minas e sobre a guerra civil no sul do país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-160695309023038792?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/160695309023038792/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=160695309023038792&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/160695309023038792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/160695309023038792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2007/04/geni-das-tvs-e-de-turbante.html' title='A Geni das TVs, e de turbante'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-882461584459643840</id><published>2007-04-30T17:42:00.000-07:00</published><updated>2007-05-01T14:16:42.961-07:00</updated><title type='text'>Ode a um Herói anônimo</title><content type='html'>Toda vez que vejo o semblante do judeu grego – e aqui não vai nenhum ponta de anti-semitismo, por favor – que fez fortuna mediante a esperta aplicação de uma das mais velhas fórmulas inventadas pela raça humana para lidar com as massas populares (à base de trigo cozido e diversão de baixo custo e nível), me lembro da singela história de um herói nacional quase anônimo. Vale lembrá-la, para que as gerações posteriores jamais se olvidem da prolífica e abnegada obra deste herói, não por acaso um Jornalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bondosos generais que tomaram o poder em 64 preparavam-se para entregar o país de volta a uma meia dúzia de civis com os bolsos cheios do resultado da cooperação com o suave regime instalado naqueles últimos 21 anos dourados. Anos em que um governo ilegitimamente constituído – ora, e qual foi legítimo nesta nossa república mesmo? – matou apenas alguns poucos centenas de cidadãos e desapareceu com outras tantas, contra os milhares e milhares dos sanguinários regimes de alguns de &lt;em&gt;nuestros hermanos latinos&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo no início do governo da “abertura”, decidiu-se por criar duas novas "vagas" para emissoras de TV nacionais. Ocorre que o “nº 1”, o homem que está no poder, detém a prerrogativa de conceder a quem ele desejar, ou ao que realizar o melhor tráfico de influência ou àquele que despejar mais dinheiro em seus bolsos através dos injustamente crucificados lobistas, a concessão de exploração dos serviços de transmissão de rádio e TV. Assim era então e assim o é até hoje. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois jornais que desempenharam o desagradável papel de expor os pontuais desvios do regime – como a instalação de um mecanismo de governo que sistematicamente violava os direitos dos cidadãos que deveria estar defendendo, dos nobres objetivos da redentora revolução – pleiteavam as concessões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente, nosso Herói (ex-assessor de imprensa do mesmo general) se mobilizou para garantir que uma delas ficasse nas mãos do seu então patrão, que não era jornalista, mas um gráfico cuja experiência jornalística praticamente se resumia a uma revista de fotos grandes e dedicada ao puxa-saquismo do governo em tempo integral. A única coisa que poderia comprometer a concessão era o fato de a referida revista fazer uma cobertura carnavalesca que beirava o pornô. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O intimorato Jornalista não teve dúvidas: candidatou-se a vaga de guardião da moral da nova emissora, e conquistou o objetivo. O mesmo abnegado homem de notícias ainda ajeitou o meio de campo para que o ex-camelô com queda para o trambique honesto, que explora apenas a boa fé da pessoa, assumisse o outro, privando-nos para sempre da possibilidade de uma emissora de TV minimamente inteligível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocou-o em contato, por acaso, com um militar com quem o camelô servira no quartel e os dois puderam relembrar muitos episódios da caserna enquanto discutiam a proposta de uma rede que não se metesse muito nesse negócio de política, que é bastante complicado. Como “seu Sílvio” estava interessado mesmo era em grana, não houve problema. Não bastasse isso, o sobrinho do camelô era genro do milico que comandava a CIA tupiniquim, o que só fez facilitar a aproximação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos seguintes, uma destas faliu, deixando milhares de pessoas desempregadas e sem perspectiva de receber o dinheiro que lhes era devido. Constatou-se que o tal gráfico sabia ser mau patrão como poucos outros o foram, deixou milhões em dívidas trabalhistas e 28 mil cheques sem fundos na praça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra se tornou uma das legítimas encarnações do “ópio do povo” de que falava um daqueles velhos pensadores alemães com nome de quem está limpando a garganta. E tornou multimilionário o seu dono, cuja única incursão pelo mundo da política – uma candidatura a presidente na eleição de 1989 – foi sepultada simplesmente porque ele tinha se esquecido de um detalhe banal como a filiação legítima a um partido político. Teve de comprar a sua, mas o tribunal eleitoral não viu isso com bons olhos porque ele não era cliente da casa e estava atrapalhando um momento muito delicado. Era, afinal, a primeira vez em quase trinta anos que eles teriam de nos fazer acreditar que de fato escolhemos quem nos governa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Jornalista de notável dedicação à causa dos seus patrões e incontestável abnegação que nos proporcionou isto tudo fez fama nesta primeira rede – a do gráfico. Apresentava um programa não tratava de assuntos pesados e chatos como denúncias de corrupção, favorecimento, fraude e nepotismo que grassavam debaixo dos negros e vastos bigodes presidenciais. Ou mesmo o dia-a-dia daqueles valorosos homens que estavam retomando o controle das rédeas nacionais para a elite que sempre as teve em mãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso. Ele escolheu assumir o valioso – mas desprezado – papel de bobo da corte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em horário nobre, apresentava esquetes leves contendo material de absoluta relevância política como os tiques-nervosos dos políticos e seus gracejos e atos falhos entre um e outro discurso. Dedicava-se com afinco a transmitir ao máximo possível da população brasileira que determinado senador não conseguia pronunciar corretamente a palavra “problema”, por mais que seus assessores soprassem, entre outras valorosas contribuições ao mundo da imprensa. Para que gastar tempo com os projetos em discussão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conteúdo do quadro – ou a falta dele – chamou a atenção do Todo-Poderoso Ser Global, que o convocou para servir em suas hostes. A princípio, foi para ocupar posição similar à que ocupava na emissora anterior, mas depois o afilhado dos generais alçou vôos mais altos dentro da empresa do dono do país. E ainda relatou esse episódio todo em um livro para comemorar seus feitos, magnífica obra lançada em 1985. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, ele ganha mais do que eu, você, e pelos menos mais uns vinte amigos nossos juntos. Mordam-se de inveja, e palmas pra ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-882461584459643840?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/882461584459643840/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=882461584459643840&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/882461584459643840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/882461584459643840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2007/04/ode-um-heri-annimo.html' title='Ode a um Herói anônimo'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-1175928897194538128</id><published>2007-04-26T01:26:00.000-07:00</published><updated>2007-10-06T18:37:33.553-07:00</updated><title type='text'>O que explica muita coisa...</title><content type='html'>A Fanta foi criada na Alemanha, em plena Segunda Guerra, pelo representante local da Coca-Cola Company, para compensar a perda de vendas resultando dos boatos de que a empresa seria de propriedade de judeus. Parece teoria da conspiração, difícil de acreditar? Mas não é nenhum segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Coca-Cola decidiu, no ano passado, fazer um concurso para recriar as propagandas da Coca-Cola no III Reich. Quando foram explicar pros participantes o contexto da brincadeira (http://www.mtcp.co.uk/coca-cola/background.php), tem escrito lá no meio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Coke financially supported the Nazis by advertising within Nazi newspapers, in one instance Coke published responses to accusations from rival bottlers that they were a Jewish company. These denunciations were placed in Nazi rags."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "A Fórmula Secreta", do jornalista Rick Allen (Editora Objetiva, 1994, excelente leitura), há uma versão minuciosamente narrada do episódio. Allen conta que começou a circular entre esses engarrafadores rivais cópia de um balanço financeiro escrito com caracteres hebraicos. Provavelmente foi obra de um contador judeu qualquer do departamento financeiro, mas o papel foi usado como prova de que a Coca-Cola era judaica até as raízes de coca e de kola. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Max Keith, o CEO da empresa na Alemanha, foi pressionado diversas vezes a admitir nos cargos de direção integrantes do alto escalão do gabinete de Hitler. Negou-se todas e foi perseguido. Na sede da Coca-Cola nos EUA, em Plum Street, Atlanta, os funcionários graduados todos achavam que Keith estava colaborando com os nazistas, o que poderia se tornar embaraçoso para a imagem mundial da companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Hitler caiu, mandaram uma comissão lá investigar o que ele andava fazendo, com vistas a demiti-lo. Os investigadores voltaram com os dados que mostravam que Keith além de não sucumbir às pressões, criou a Fanta para contornar a queda de receita advinda da histeria anti-judaica. O pré-julgamento de Keith fora equivocado, reconheceram os executivos, que forjaram a historinha segundo a qual a falta de matéria-prima para o xarope teria levado Keith a produzir a Fanta, que na época nem tinha gosto de laranja ou uva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto que com a entrada dos EUA na Guerra, o presidente da empresa, Robert Woodruff, obteve do general Eisenhower permissão para instalar fábricas de Coca-cola em diversas frentes de batalha. Eisenhower, não por acaso, sempre era visto com uma Coca-Cola na mão. Isso tudo foi parte de uma campanha intensa da COca-Cola Company para grudar a sua imagem ao esforço de guerra e escapar de uma restrição fenomenal nas quotas de açúcar que teriam direito para produzir o xarope.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-1175928897194538128?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/1175928897194538128/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=1175928897194538128&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/1175928897194538128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/1175928897194538128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2007/04/o-que-xplica-muita-coisa.html' title='O que explica muita coisa...'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-115942470433191374</id><published>2006-09-27T23:20:00.000-07:00</published><updated>2006-09-27T23:32:18.466-07:00</updated><title type='text'>Kama não é "cama" em sânscrito</title><content type='html'>Pobre &lt;em&gt;Kama Sutra&lt;/em&gt;, tão maltratado nesse mundo pós-moderno, exposto em todo lugar como se fosse meramente um dicionário de posições extravagantes (para não dizer acrobáticas) e técnicas mirabolantes para "esquentar" uma relação a dois. Da maneira como se referem a ele como "livro sagrado", dá pra pensar ainda que trata-se de uma obra de inspiração divina, como uma Bíblia. Simplificações grosseiras de um conhecimento que extrapola a relação homem-mulher. É um tratado quase científico (levando em conta os padrões de ciência da época, claro), cujo título em sânscrito corresponde a algo como "Aforismos sobre o Amor". Foi escrito, supõe-se, em alguma data entre os séculos I e VI da era cristã, por um estudante da religião hindu chamado Mallinaga Vatsyayana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vatsyayana não estava sob inspiração divina quando escreveu o tratado; deixa isso claro nas palavras finais, quando explica sua origem: "Depois de lidas e ponderadas as obras de Babhravya e outros autores antigos, e de reflexões sobre o significado das regras por eles formuladas, foi escrito o &lt;em&gt;Kama Sutra&lt;/em&gt;, em benefício do mundo segundo os preceitos da Sagrada Escritura, por Vatsyayana, quando estudante da religião e inteiramente entregue à contemplação da Divindade." É, portanto, produto do conhecimento de um homem que se aprofundou no assunto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a mais amplamente reconhecida, mas não a única obra a compor as assim chamadas &lt;em&gt;Kama Shastra&lt;/em&gt; (Doutrinas do Amor) praticadas pelos hindus. Além dele, pode-se encontrar no mesma época o &lt;em&gt;Ratirahasya&lt;/em&gt; (Segredos do Amor), &lt;em&gt;Panchasakya&lt;/em&gt; (As cinco setas), &lt;em&gt;Smara Pradipa&lt;/em&gt; (A Luz do Amor), &lt;em&gt;Ratimanjari&lt;/em&gt; (A Grinalda do Amor), &lt;em&gt;Rasmanjari&lt;/em&gt; (O Rebento do Amor) e o &lt;em&gt;Anunga Runga&lt;/em&gt; (O Palco do Amor). Isso tudo sem contar, obviamente, os que lhes antecederam, que não devem ter sido poucos. O mais recente, se não me engano, e primeiro a chamar a atenção dos ingleses que posteriormente traduziram o &lt;em&gt;Kama Sutra&lt;/em&gt;, é o &lt;em&gt;Ananga Ranga&lt;/em&gt; (A Arte de Amar), datado do século XVI, provavelmente. Para mim, é o que melhor se encaixaria nos desejos das donas-de-casa e pós-teenagers perdidas em busca de uma vida sexual mais satisfatória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos leva a outro engano terrível infelizmente comum sobre o &lt;em&gt;Kama Sutra&lt;/em&gt;, o de que se trata de algo promíscuo, obsceno, etc. Esse é um retrato do pavor crônico que os cristãos têm de que o sexo seja retratado como algo que nos aproxima da divindade. Nada mais justo, já que, para eles, trata-se do motivo pelo qual o ser humano foi expulso do paraíso, onde vivia pertinho do Criador. Aquela fábula toda de Eva e a Serpente, afinal, não é mais do que a alegoria para simbolizar a descoberta, por parte do ser humano, de que também poderia ser uma força geradora de Vida. Por mais que seja óbvio pra gente hoje em dia, nem sempre se associou o ato sexual à reprodução.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se os que escrevem a seu respeito tivessem ao menos se dado ao trabalho de lê-lo, reparariam no alerta que o próprio autor faz no encerramento: "Esta obra não deve ser usada apenas como instrumento para satisfação de nossos desejos. Aquele que conhece os verdadeiros princípios dessa ciência e que preserva seu Dharma, Artha e Kama, e que respeita os costumes, certamente conseguirá dominar seus sentidos." Os ensinamentos contidos no &lt;em&gt;Kama Sutra&lt;/em&gt; tem como objetivo promover "o gozo dos objetos adequados pelos cinco sentidos - audição, tato, visão, paladar e olfato - com a ajuda a mente e da alma. A sua essência é um contato peculiar do órgão sensório com seu objeto, sendo a consciência do prazer resultante desse contato chamada Kama."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artha e Dharma são, respectivamente, os aspectos social e espiritual da existência. Os hindus consideram que para atingir a plenitude, as três facetas devem estar equilibradas. Nenhuma deve ser buscada em detrimento das outras, por isso mesmo os prazeres devem ser procurados com "moderação e prudência", diz Vatsyayana. Ao longo de toda a obra, praticamente, pode ser percebida essa perspectiva reverente, quase pudica, da atividade sexual. Repito, quem procura um excitante manual de sacanagem está fadado se decepcionar e muito com a leitura. O &lt;em&gt;Kama Sutra&lt;/em&gt; é dividido em sete partes, e apenas uma delas diz respeito à união sexual. As outras, para se ter uma idéia, são a óbvia introdução (sem trocadilho), "da aquisição de uma esposa", "da esposa", "das esposas dos outros", "das cortesãs" e "dos meios para atrair os outros".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da universalidade de alguns dos conceitos apresentados por Vatsyayana, a relação homem-mulher conforme os Kama Shastra não é para o nosso bico ocidental judaico-cristão. Envolve aspectos peculiares da cultura e da religiosidade hindu de onde foi extraída que não podem ser reproduzidos no nosso cotidiano. O mesmo ocorre com outro conjunto de conhecimentos muito vilipendiado pelas mentes brilhantes que habitam as revistas de variedades, que responde pelo nome de Tantra Yoga. É o caminho religioso para alcançar o Nirvana através da união sexual. Se somássemos a quantidade de besteiras escritas sobre esses dois temas nessas publicações, por centímetros quadrados, teríamos no mínimo o equivalente a um pequeno bosque devastado em nome da ignorância. Lamentável, lamentável...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem por isso ensinamentos "técnicos" do livro devem ser ignorados. A maior parte é bem interessante. Cada uma das oito principais práticas - os abraços, beijos, arranhões, mordidas, posições, sons, inversão de papéis (meio estranho, isso) e o "congresso oral" - vem em oito diferente formas. Daí o conjunto ser conhecido como &lt;em&gt;Chatushshashti&lt;/em&gt; (Sessenta e Quatro). Praticá-las, no entanto, requer pelo menos que os interessados se identifiquem com o princípio fundamental da coisa, da união sexual como forma de entrar em contato com a energia divina. Felizmente, a corrente que reúne esclarecidos adeptos de certos aspectos destes caminhos religiosos - como se para contrabalançar as demonstrações de total incompreensão por parte dos já citados “especialistas” que escrevem para revistas femininas - vem ganhando força na nossa cultura ocidental.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-115942470433191374?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/115942470433191374/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=115942470433191374&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115942470433191374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115942470433191374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/09/kama-no-cama-em-snscrito.html' title='Kama não é &quot;cama&quot; em sânscrito'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-115942430689100058</id><published>2006-09-27T23:16:00.000-07:00</published><updated>2007-03-01T16:50:07.073-08:00</updated><title type='text'>Le meilleur guitariste de tout les temps</title><content type='html'>&lt;em&gt;Finalmente conseguimos instalar eletricidade em nossa casa em Indianola. Isso representou, para mim, principalmente, um rádio e um amplificador para a guitarra. O novo som de T-Bone não me saía da cabeça. Por mais que tentasse, não chegava nem perto dele. O mesmo acontecia com Django Reinhardt. Django era um guitarrista cigano belga que conhecia através de um colega do exército cujo navio tinha passado pela França; ele chegou dizendo que conhecera um músico fantástico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esteve no Hot Club de Paris, onde Django estava se apresentando com o violinista Stephane Grapelli. Meu amigo trouxe alguns discos - aqueles  78 rotações grandes e fáceis de quebrar - embrulhados em papel de seda como se fossem jóias preciosas (e eram mesmo). Quando chegou no Mississippi, ele me mostrou. Eu não acreditei no que estava ouvindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, li que Django queimou dois dedos da mão esquerda em um incêndio de sua caravana. Esses dedos queimados se colaram no terceiro por uma membrana, de modo que lhe sobravam apenas dois dedos livres. As pessoas o chamavam de “Relâmpago de Três Dedos”, e era mesmo. Ele me pegou com a mesma força de Charlie Christian. Django era um mundo novo. Ele e Grapelli zuniam como demônios. A cadência era só o começo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As idéias de Django eram o que mais me surpreendia. Ele era livre, leve e veloz como o mais veloz dos trompetes, escorregadio como o mais liso dos clarinetes, corrias pelas cordas com a rapidez de um velocista e a imaginação de um poeta. Era ligeiro como um gato. Músicas como “Nuages” e “Nocturne” me tiravam da minha casa em Indiana e me transportavam pelo oceano até Paris, onde as pessoas bebiam vinho imersas no jazz mais romântico que este mundo já ouvira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu amava a alegria e a leveza da música de Django sua liberdade de fazer o que sentia. Estava na cara que se tratava de um cigano. Sua guitarra era tremendamente sensual, sua atitude do tipo nada-pode-me-deter, inspiradora. Pouco me importava que fosse um milhão de vezes melhor do que eu tecnicamente. Sua música fortalecia uma idéia acariciada em meu coração - a guitarra é uma voz como outra qualquer. A guitarra é um milagre. As cordas e os trastos revelam a personalidade de um ser humano único, seja um cego do Texas ou um cigano da Bélgica.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riley "Blues Boy" King, em “B.B. King - Corpo e alma do Blues” (Editora Ática, 1998)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-115942430689100058?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/115942430689100058/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=115942430689100058&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115942430689100058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115942430689100058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/09/le-meilleur-guitariste-de-tout-les_27.html' title='Le meilleur guitariste de tout les temps'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-115755908887470792</id><published>2006-09-06T09:08:00.000-07:00</published><updated>2006-09-13T12:35:44.393-07:00</updated><title type='text'>Inscrição sobre o Grande Portão da Abadia de Thelema</title><content type='html'>Afastai-vos, hipócritas carolas; &lt;br /&gt;Não entreis, monges sujos, preguiçosos, &lt;br /&gt;Do que os godos mais vis, e gabarolas; &lt;br /&gt;Não achareis aqui tolos ou tolas; &lt;br /&gt;Aqui não entram rufiões e ociosos. &lt;br /&gt;Afastai-vos, farsantes, mentirosos; &lt;br /&gt;Ide pregar além vossas patranhas, &lt;br /&gt;Ide usar mais além as artimanhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vossos abusos &lt;br /&gt;Tornaram-se em usos &lt;br /&gt;De pura abusão, &lt;br /&gt;E eis que então &lt;br /&gt;Se mostram difusos &lt;br /&gt;Os vossos abusos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vós que explorais os autores e os réus, &lt;br /&gt;Afastai-vos daqui, falsos juristas, &lt;br /&gt;Traficantes, escribas, fariseus, &lt;br /&gt;Que lesais os sabidos e os sandeus, &lt;br /&gt;Com autos, citações, liças e listas, &lt;br /&gt;Estendendo os processos; chicanistas, &lt;br /&gt;Afastai-vos, livrando-nos assim &lt;br /&gt;Das demandas inúteis e sem fim. &lt;br /&gt;Processos e pleitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São feitos, desfeitos, &lt;br /&gt;Sem lucro nenhum &lt;br /&gt;Para cada um. &lt;br /&gt;Não trazem proveitos &lt;br /&gt;Processos e pleitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afastai-vos, malditos usurários, &lt;br /&gt;Malsãos adoradores do dinheiro, &lt;br /&gt;Que, com muita má fé e embustes vários, &lt;br /&gt;O ouro acumulai, vis onzenários, &lt;br /&gt;Furtando, de janeiro até janeiro, &lt;br /&gt;O que luta e trabalha o ano inteiro, &lt;br /&gt;Tão vorazes, e magros como um galgo, &lt;br /&gt;E só depois de mortos valeis algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é vossa face &lt;br /&gt;Humana, não faz-se &lt;br /&gt;Humana a ninguém. &lt;br /&gt;Sois ricos, porém, &lt;br /&gt;Humana e ferace &lt;br /&gt;Não é vossa face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entreis, não entreis, velhos mastins, &lt;br /&gt;Que alimentais os ódios, rancorosos, &lt;br /&gt;Nem vós, insufladores de motins, &lt;br /&gt;Que sois das feras vis meros afins, &lt;br /&gt;Insensíveis, covardes invejosos, &lt;br /&gt;Cegos pela ambição ambiciosos. &lt;br /&gt;Com os lobos ide o ódio saciar, &lt;br /&gt;Não desonreis com o ódio este lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ódio aqui não cabe, &lt;br /&gt;Tudo aqui se acabe &lt;br /&gt;Que do ódio vem, &lt;br /&gt;A ira não convêm, &lt;br /&gt;Pois como se sabe, &lt;br /&gt;O ódio aqui não cabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta está aberta, é só entrar; &lt;br /&gt;Sede bem-vindos, nobres cavaleiros. &lt;br /&gt;Aqui é vossa casa, este lugar &lt;br /&gt;Há de sempre acolher-vos, abrigar &lt;br /&gt;Os joviais, os bons, os justiceiros; &lt;br /&gt;Aqui são todos francos companheiros, &lt;br /&gt;E se cultivam o entusiasmo e a calma, &lt;br /&gt;A alegria do corpo e a paz da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reina a amizade, &lt;br /&gt;O mal não há de &lt;br /&gt;Aqui entrar; &lt;br /&gt;É o nosso lar, &lt;br /&gt;Nele em verdade &lt;br /&gt;Reina a amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrai, entrai, ó vós que o Evangelho &lt;br /&gt;Com bom senso e verdade anunciais; &lt;br /&gt;Aqui tereis refúgio, honra e conselho, &lt;br /&gt;Proteção contra o erro, ou novo ou velho, &lt;br /&gt;E separados não sereis jamais &lt;br /&gt;Da fé sincera, dessa fé que amais. &lt;br /&gt;Não entra aqui, não fala, não encanta &lt;br /&gt;O inimigo da palavra santa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verbo sagrado &lt;br /&gt;Não fica calado &lt;br /&gt;Aqui nesta casa. &lt;br /&gt;Tem vozes, tem asa, &lt;br /&gt;E voa, e é falado &lt;br /&gt;O verbo sagrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrai, nobres damas da alta linhagem, &lt;br /&gt;Aqui vos esperais virtudes e ventura. &lt;br /&gt;Entrai, belas damas de grande coragem, &lt;br /&gt;Entrai, e encontrareis nessa viagem &lt;br /&gt;Um porto amigo, abrigo à vossa altura, &lt;br /&gt;Uma angra tranqüila e bem segura. &lt;br /&gt;Nobres damas entrai, aqui tereis &lt;br /&gt;O que bem desejais e mereceis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é suave &lt;br /&gt;Qual canto de ave, &lt;br /&gt;Nem pranto nem dor, &lt;br /&gt;Mas hinos de amor &lt;br /&gt;Quais cantos de ave. &lt;br /&gt;A vida é suave. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;François Rabelais, &lt;em&gt;Gargantua et Pantagruel&lt;/em&gt;, 1543. Traduzido do original em francês por Rubens Bulad, Shakta Ádynátha Amánáska, 947 '.', disponível em http://www.amrit.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-115755908887470792?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/115755908887470792/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=115755908887470792&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115755908887470792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115755908887470792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/09/inscrio-sobre-o-grande-porto-da-abadia.html' title='Inscrição sobre o Grande Portão da Abadia de Thelema'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-115697340860097919</id><published>2006-08-30T14:29:00.000-07:00</published><updated>2006-08-30T14:30:08.626-07:00</updated><title type='text'>Regozijai-vos, herdeiros tupiniquins de Gutemberg</title><content type='html'>Com o discurso recheado de clichês ("a imprensa é um dos pilares da democracia", "a liberdade é sagrada") típico de quem finge defender uma imprensa livre, o Molusco Presidencial encarou a platéia da 1ª Cúpula Latino-Americana de Líderes de Jornais, encerrada ontem em São Paulo, provavelmente amparado por um par de lentes de contato cor-de-rosa. Para ele, temos “dispositivos institucionais” necessários para que essa “liberdade nunca seja ferida” e a legislação brasileira impede qualquer forma de censura (1). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se somos esse Éden jornalístico, todavia, qual seria o motivo de figurarmos na 63ª posição do Índex da Liberdade de Imprensa 2005 da ONG francesa Repórteres sem Fronteiras - RSF(2)? O que poderia nos colocar abaixo de potências como Eslovênia (9º), Estônia (11º), Trinidad e Tobago (12º), Benin, Chipre e Namíbia (25º), El Salvador (28º), Cabo Verde (29º), Bósnia Herzegovina (33º), Ilhas Maurício (34º), Mali (37º), Chipre (53º), Níger (57º), Timor Leste (58º), Botswana e Ilhas Fiji (60º) e Albânia (62º)?    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparado ao que alcançamos em 2003, o 63º lugar nem está tão ruim. No primeiro ano de governo petista, ficamos em 71º. No ano seguinte, galgamos alguns degraus,chegando ao 66º. No último ano da era FHC, quando o Índex formulado a partir de questionários com 50 itens enviados a jornalistas locais, repórteres estrangeiros baseados em um país, pesquisadores, juristas e especialistas regionais começou a ser publicado pela RSF, estávamos confortavelmente instalados no 54º lugar. Um pouquinho menos pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garbosamente, como convém a um operário convertido às maravilhas de Armani, o sr. Presidente vangloriou-se de sermos uma nação na qual "o Estado tem se pautado por não causar qualquer tipo de interferência nos meios de comunicação social". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade. Talvez leve o princípio da não interferência até longe demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o diga a repórter Maria Mazzei, do jornal carioca O Dia, cuja vida está de cabeça para baixo pela ousadia de ter revelado um esquema de fraudes em seguros a partir da venda de falsos atestados de óbito e da comercialização de corpos, protagonizado por funcionários do Instituto Médico-Legal (IML) e de funerárias(3). Obviamente, não há razão para o Governo federal se envolver, mesmo que a polícia estadual esteja conduzindo a investigação a passo de cágado manco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O princípio da não-interferência, aliás, parece ter muitos adeptos. Como os cidadãos e eventuais guardas que assistiram o vereador Osvaldo Vivas espancar até a morte o repórter Ajuricaba Monassa de Paula, de (pasmem) 73 anos(4), na cidade fluminense de Guapimirim. O motivo? As denúncias sobre "práticas administrativas questionáveis" que o septuagenário jornalista fazia contra o edil - que por sinal é faixa-preta em artes marciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor sorte teve o editor do Jornal do Meio Ambiente, Vilmar Berna, que apenas teve a casa invadida por seis homens, no meio da noite, que o ameaçaram de morte(5). Isso depois de diversos telefonemas em que uma voz feminina avisava que ele seria morto em breve, e de um amigo do jornalista contar-lhe que ouviu falar de um plano para seqüestrá-lo, espancá-lo até a morte e jogá-lo no mar. As autoridades parecem também não estar interferindo muito.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Lula, "contamos, felizmente, com todos os dispositivos institucionais necessários para que essa liberdade nunca seja ferida" e "nossa legislação impede qualquer forma de censura". Que os dispositivos existem, ótimo... agora, só resta saber quando começarão a ser colocados em ação. E aproveitando o ensejo, não faria mal alguém avisar o nosso glorioso Judiciário sobre essa questão da legislação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D'outro modo, o que explicaria a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Amapá de proibir a Folha do Amapá de de publicar na internet a matéria de capa "Capiberibe tem 53,6% dos votos válidos e pode vencer no 1º turno", do dia 11 de agosto, sob pena de multa de R$ 10 mil diários em caso de descumprimento? A matéria sobre pesquisa de intenções de voto apontava o candidato do PSB, João Alberto Capiberibe (PSB), como vitorioso no primeiro turno, e foi vetada pela Justiça Eleitoral a pedido da coligação União pelo Amapá (PDT, PMDB, PP, PV, PSC e PRONA).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se de fato o sr. Presidente está correto sobre os nossos dispositivos institucionais e o arcabouço legislativo, também não encontro razão para o José Ale Nahmad Netto, de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, decretar - sob pena de multa quase R$ 500 por edição (!) em caso de descumprimento - que o jornal O Correio do Estado não podia mencionar o nome do candidato do PMDB ao Governo do Estado, André Puccinelli(7). Ex-prefeito de Campo Grande, Puccinelli está sendo investigado por transferências de dinheiro esquisitas para sua conta bancária, em novembro de 2004.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Isso tudo, claro, foi só o que de mais gritante ocorreu neste ano do Nosso Senhor de 2006. Em 2005 teve mais, muito mais. O radialista José Cândido Amorim Pinto, da Rádio Comunitária Alternativa, de Carpina, em Pernambuco, foi morto a tiros em julho, depois de denunciar nepotismo na prefeitura e na câmara municipal, oito dias depois de sofrer o primeiro atentado. Maurício Melato Barth, dono e editor do jornal Infobairros de Itapema, em Santa Catarina, foi emboscado por dois mascarados e baleado, mas sobreviveu. A proprietária/colunista do semanário Primeira Pagina, do Tocantins, Sandra Miranda de Oliveira Silva, levou somente um chega-pra-lá do governador que criticou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa lei de imprensa (nº 5.250/67) tão decantada pelo sr. Presidente, assinada pelo primeiro generalíssimo pós-golpe de 1964, foi o instrumento que permitiu a prisão do jornalista José de Arimatéia Azevedo, editor do site Portal AZ, de Teresina, no Piauí. Também é com base nesse belo diploma legal que o editor do Jornal Pessoal, Lúcio Flávio Pinto, homenageado em 2005 com o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa do Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), tem 18 processos a responder. Lá fora, é admirado por vir "corajosamente informado sobre o tráfico de drogas, a devastação ambiental, e a corrupção política e empresarial na vasta e remota região amazônica brasileira". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tem informado sobre o tráfico de drogas, a devastação ambiental, e a corrupção política e empresarial. Em retorno, tem sido ameaçado e submetido a uma onda de processos espúrios. Um poderoso proprietário de mídia local, que também é político, agrediu Pinto em um restaurante em janeiro, com socos e chutes. Os guarda-costas do agressor deram cobertura durante o ataque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de desviar o assunto para o seu tema favorito, o suposto sucesso econômico do país, Lula se gaba de ter assinado a declaração de Chapultepec. Falta explicar por que só o fez no último ano de mandato. Será que estava muito ocupado antes, tentando expulsar o repórter do New York Times Larry Rohter por causa da matéria que o chamava de cachaceiro ou articulando o malfadado Conselho Nacional de Jornalismo (CNJ)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) "Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de encerramento da I Cúpula Latino-Americana de Líderes de Jornais e abertura do 6º Congresso Brasileiro de Jornais", Secretaria de Imprensa e Porta-Voz da Presidência da República, em http://www.info.planalto.gov.br, e "Lula: Estado democrático só se consolida com imprensa livre", O Globo, em http://oglobo.globo.com/pais/mat/2006/08/29/285466286.asp &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Reporters sans Frontières, em http://www.rsf.org/rubrique.php3?id_rubrique=554&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) "Repórter é ameaçada de morte no Rio", Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em http://www.abraji.org.br/modules.php?op=modload&amp;name=News&amp;file=article&amp;sid=327&amp;mode=thread&amp;order=0&amp;thold=0, "Threats force O Dia reporter into hiding after writing about trafficking in bodies", Reporters sans Frontières, em http://www.rsf.org/article.php3?id_article=18594, e "Jornalista que denunciou esquema criminoso sofre ameaças", Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em http://www.fenaj.org.br/materia.php?id=1288&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(4) "Assassinado Ajuricaba Monassa", Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em http://www.abi.org.br/primeirapagina.asp?id=1568, e "Municipal councillor beats 73-year-old freelance journalist to death", RSF, em http://www.rsf.org/article.php3?id_article=18399&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(5) "Authorities take a month to react to death threats against environmental journalist", RSF, http://www.rsf.org/article.php3?id_article=18226&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(6) "Jornal Folha do Amapá é censurado em caráter liminar pelo TRE", Abraji, em http://www.abraji.org.br/modules.php?op=modload&amp;name=News&amp;file=article&amp;sid=325&amp;mode=thread&amp;order=0&amp;thold=0&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(7) "Newspaper preemptively fined 168 euros/copy each future issue mentioning candidate for governor", RSF, http://www.rsf.org/article.php3?id_article=17891&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-115697340860097919?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/115697340860097919/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=115697340860097919&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115697340860097919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115697340860097919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/08/regozijai-vos-herdeiros-tupiniquins-de.html' title='Regozijai-vos, herdeiros tupiniquins de Gutemberg'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-115567946225292027</id><published>2006-08-15T13:02:00.000-07:00</published><updated>2006-08-15T15:04:22.306-07:00</updated><title type='text'>Coisas de terras brasilis</title><content type='html'>Contando assim, é difícil de acreditar. Mas vamos lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A concessionária dos serviços de trens urbanos do Rio de Janeiro, a Supervia, deve R$ 188 milhões em contas atrasadas (R$ 4 milhões por mês) à concesssionária de serviços de energia elétrica Light. Como a Supervia não paga e a Light está impossibilitada de cortar o fornecimento para não atrapalhar a vida das 9 milhões de pessoas que usam os trens, a Assembléia Legislativa (Alerj) decidiu se meter na conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Light diz que quer a retomada dos pagamentos mensais e o parcelamento do restante da dívida. A SuperVia alega que desde a privatização, botou R$ 390 milhões em novas instalações e equipamentos para cumprir o contrato de concessão, e viu cortado um subsídio de R$ 150 milhões anuais que recebia do Governo do Estado. Para equilibrar as contas, o executivo da empresa de energia diz que a Agência Nacional de Energia Elétrica, reguladora do setor, precisaria reduzir a tarifa para os trens.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que disse a Aneel? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se sabe. Não mandou representante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-115567946225292027?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/115567946225292027/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=115567946225292027&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115567946225292027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115567946225292027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/08/coisas-de-terras-brasilis.html' title='Coisas de terras brasilis'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-115560454561018832</id><published>2006-08-14T18:14:00.000-07:00</published><updated>2006-08-14T18:15:45.623-07:00</updated><title type='text'>Acreditem, se quiserem</title><content type='html'>O Brasil é signatário do seguinte documento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Declaração de Chapultepec&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma imprensa livre é condição fundamental para que as sociedades resolvam seus conflitos, promovam o bem-estar e protejam sua liberdade. Não deve existir nenhuma lei ou ato de poder que restrinja a liberdade de expressão ou de imprensa, seja qual for o meio de comunicação. Porque temos consciência dessa realidade e a sentimos com profunda convicção, firmemente comprometidos com a liberdade, subscrevemos esta declaração com os seguintes princípios: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I – Não há pessoas nem sociedades livres sem liberdade de expressão e de imprensa. O exercício dessa não é uma concessão das autoridades, é um direito inalienável do povo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II – Toda pessoa tem o direito de buscar e receber informação, expressar opiniões e divulgá-las livremente. Ninguém pode restringir ou negar esses direitos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III – As autoridades devem estar legalmente obrigadas a pôr à disposição dos cidadãos, de forma oportuna e eqüitativa, a informação gerada pelo setor público. Nenhum jornalista poderá ser compelido a revelar suas fontes de informação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV – O assassinato, o terrorismo, o seqüestro, as pressões, a intimidação, a prisão injusta dos jornalistas, a destruição material dos meios de comunicação, qualquer tipo de violência e impunidade dos agressores, afetam seriamente a liberdade de expressão e de imprensa. Esses atos devem ser investigados com presteza e punidos severamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V – A censura prévia, as restrições à circulação dos meios ou à divulgação de suas mensagens, a imposição arbitrária de informação, a criação de obstáculos ao livre fluxo informativo e as limitações ao livre exercício e movimentação dos jornalistas se opõem diretamente à liberdade de imprensa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI – Os meios de comunicação e os jornalistas não devem ser objeto de discriminações ou favores em função do que escrevam ou digam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII – As políticas tarifárias e cambiais, as licenças de importação de papel ou equipamento jornalístico, a concessão de freqüências de rádio e televisão e a veiculação ou supressão da publicidade estatal não devem ser utilizadas para premiar ou castigar os meios de comunicação ou os jornalistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIII – A incorporação de jornalistas a associações profissionais ou sindicais e a filiação de meios de comunicação a câmaras empresariais devem ser estritamente voluntárias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IX – A credibilidade da imprensa está ligada ao compromisso com a verdade, à busca de precisão, imparcialidade e eqüidade e à clara diferenciação entre as mensagens jornalísticas e as comerciais. A conquista desses fins e a observância desses valores éticos e profissionais não devem ser impostos. São responsabilidades exclusivas dos jornalistas e dos meios de comunicação. Em uma sociedade livre, a opinião pública premia ou castiga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;X – Nenhum meio de comunicação ou jornalista deve ser sancionado por difundir a verdade, criticar ou fazer denúncias contra o poder público.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-115560454561018832?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/115560454561018832/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=115560454561018832&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115560454561018832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115560454561018832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/08/acreditem-se-quiserem.html' title='Acreditem, se quiserem'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-115557217989387078</id><published>2006-08-14T09:15:00.000-07:00</published><updated>2006-08-14T12:48:11.106-07:00</updated><title type='text'>Bolas da vez</title><content type='html'>Tal qual uma Brigada dos Mártires do Capão Redondo, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) planejou e executou a ação mais ousada contra um jornalista no exercício da profissão no Brasil, desde a tortura e o assassinato de Tim Lopes por traficantes do Comando Vermelho, em 2002: o seqüestro do repórter da TV Globo Guilherme Portanova. Salta às vistas por ter sido crime premeditado e continuado, com risco significativamente superior à pistolagem que costuma vitimar os jornalistas brasileiros mais combativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O puro e simples assassinato de jornalistas, vamos combinar, já é praxe por aqui. E invariavelmente fica impune, para deleite dos vilões - Troféu Pena Branca para o colega que conseguir lembrar o nome de um matador condenado de jornalista que não seja Elias Maluco. A violência contra os profissionais da imprensa é uma instituição brasileira, sustentáculo da nossa  democracia, tão vital quanto o nepotismo e o tráfico de influência. Só que, até bem recentemente na nossa história, foi instrumento exclusivo de caciques políticos e potentados econômicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que seria do País, afinal, se esses jornalistas pudessem falar qualquer verdade apurada e verificada exaustivamente que lhes desse na telha, sem qualquer limitação? O caos, é óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Causou choque a audácia da bandidagem rasteira em empregar técnicas mais sofisticadas que a dos patrões, e ainda por cima com objetivo de atrair atenções para a causa dos miseráveis revoltados. Sem querer parecer ave de mau agouro, mas que dirão os nobres cronistas então, quando se aperceberem que a tendência é piorar, e muito? Quando as duas principais facções criminosas do país não se constrangem mais em eliminar repórteres incômodos e usá-los como peões no jogo de empurra contra as autoridades constituídas, que se pode concluir exceto que eles deixaram de nos considerar neutros no jogo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é segredo nenhum que até meados da década de 1960, pelo menos, boa parte dos repórteres de polícia do Rio dividiam seu expediente profissional entre as redações e as delegacias. Estrela de &lt;em&gt;O Cruzeiro&lt;/em&gt;, David Nasser pranteou emocionadamente a morte do patrono do Esquadrão da Morte, o inspetor Milton Le Cocq de Oliveira, e o repórter da &lt;em&gt;Última Hora&lt;/em&gt; Amado Ribeiro, arquétipo do jornalista canalha na obra de Nélson Rodrigues, participou, de revólver em punho, da execução do bandido Manuel Moreira, o Cara de Cavalo, que teria assassinado o policial em 1964.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de 1970, não melhorou muito. Os rapazes que hoje espalham o terror por São Paulo, aliás, podem ter crescido ouvindo Afanásio Jazadji e seus seguidores louvarem as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), cujas caminhonetes Veraneio de cor cinza se tornaram temidas na periferia paulista. Enquanto os bandidos de lá tombavam como moscas, em meio a centenas e talvez milhares de inocentes, germinava no Rio a revolução carcerária que tornaria possível toda a grita do PCC: a revolução da Falange Vermelha na Penitenciária Cândido Mendes, na Ilha Grande, em 1979.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atacada pelo frisson da novidade, a imprensa cobriu intensamente os primeiros passos do Comando Vermelho, no começo dos anos 1980. Não demorou muito, os fuzis começaram a se tornar figurinhas fáceis nos tiroteios deflagrados nas favelas cariocas e acompanhar uma operação policial passou a representar perigo real e imediato à segurança das equipes de reportagem. A imprensa antes participativa e presente abandonou os morros e passou a cobrir os rotineiros confrontos à bala quase exclusivamente com base em relatos dos policiais. Necessária a ressalva, claro, de que o modus operandi não é adotado pela totalidade dos encarregados de cobrir a área, e as exceções são bastante conhecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Rio, onde a aclamação dos grupos de extermínio é tamanha que um delegado da Polícia Civil foi eleito deputado estadual tendo como plataforma o mote "Bandido bom é bandido morto", o jornalista/showman Carlos Alborghetti e outros encarregavam-se de derramar elogios aos policiais que cumpriam a nobre missão de varrer o "lixo da sociedade". No momento em que os traficantes passaram a ter apontadas para si, além das armas dos policiais, as microcâmeras das redes de televisão, o caldo entornou. Agora, para todos os efeitos, somos parceiros fiéis das autoridades que os torturam, encarceram e matam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo bem... tapemos o sol com a peneira e tachemos esses bandidos de animais descerebrados, facínoras. Vamos nos recusar também a reconhecer a capacidade de articulação deles, ora, onde já se viu desdentados e semi-analfabetos sendo considerados "organizados"? Podemos ainda acusá-los de nem serem originais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 22 de janeiro de 2005, a Frente 34 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) seqüestrou o fotógrafo Hernán Etcheverri Arboleda, do jornal &lt;em&gt;Urabá Hoy&lt;/em&gt;. Primeiro, pediram US$ 128 mil dólares de resgate. Depois, afirmaram que se contentariam com a divulgação pública de um comunicado do grupo criticando os excessos das autoridades da região de Antioquia. Passou três meses preso, foi libertado em 18 de abril. O que significa isso? Para bom entendedor, pingo é letra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-115557217989387078?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/115557217989387078/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=115557217989387078&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115557217989387078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115557217989387078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/08/bolas-da-vez.html' title='Bolas da vez'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-115204372914060969</id><published>2006-07-04T13:04:00.000-07:00</published><updated>2006-07-07T12:40:50.393-07:00</updated><title type='text'>Gênios do márquetchin</title><content type='html'>Algum muito bem-pago diretor do Sony Entertainment Television aprovou o gasto de alguns milhares de reais em comerciais para ridicularizar a febre da Copa do Mundo. Simulam quadros de programas de "prêmiações surpresa", com o felizardo ganhando "1 viaJem (não 1 viaGem)" para a Alemanha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um publicitário foi bem recompensado por agredir a combalida língua portuguesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-115204372914060969?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/115204372914060969/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=115204372914060969&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115204372914060969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115204372914060969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/07/gnios-do-mrquetchin.html' title='Gênios do márquetchin'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-115126772168514428</id><published>2006-06-25T13:34:00.000-07:00</published><updated>2006-06-27T10:25:51.833-07:00</updated><title type='text'>Os gentis-homens de Camelot</title><content type='html'>Enlouquecido de tesão pela dama Igraine, o rei Uther da Bretanha declarou guerra ao duque de Tintagil, marido dela. O confronto resultou na morte de algumas centenas, talvez milhares de homens, e só foi encerrado porque o rei utilizou-se da magia de Merlin para se disfarçar como duque e finalmente traçar a lady jogo-duro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nove meses depois nasceu uma criança que foi entregue por Uther a Merlin como parte do acordo que possibilitou a fornicação. O mago, por sua vez, repassou a criança a um casal da corte, que batizou-o Artur. Anos mais tarde, Artur tirou uma espada de uma pedra e descobriu que era herdeiro do trono da Inglaterra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ser bastardo e ainda por cima um moleque imberbe, demorou a ser reconhecido como legítimo soberano pela nobreza inglesa. Seus primeiros anos de “governo” foram gastos aniquilando os onze reis vizinhos que se opunham mais ferozmente. Pelas contas do próprio Artur, 45 mil morreram nessa guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de filho de Uther, Artur era rei por suas elevadas qualidades morais cristãs. Seu pecado mais grave foi comer a própria irmã, Morgana, a Fada, com a atenuante de que desconhecia o parentesco. Tudo bem que na época ela era esposa de um de seus inimigos, o rei Uriens, mas isso também é detalhe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Merlin avisou-lhe que aquele que o destruiria nasceria em maio, ordenou que todas as crianças nascidas naquele mês fossem tiradas de seus pais e embarcadas num navio, que por acaso naufragou. Entre as crianças, estava seu filho incestuoso, Mordred, milagrosamente salvo do acidente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei vivia acompanhado, como se sabe, dos mais nobres cavaleiros da Bretanha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo era seu primo sir Balin le Saveage, que degolou a Dama do Lago, ex-guardiã da Excalibur, bem na frente de Artur – que pouco ou quase nada fez para puni-lo. Acabou morrendo ao duelar com o irmão, Balan, que também não resistiu aos ferimentos sofridos no confronto. Como de costume, o parentesco entre eles não era sabido; os dois não se reconheceram no campo de batalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve também sir Pellinore, rei das Ilhas Orkney, que estuprou a esposa de um humilde criador de gado. E que, durante as festividades do casamento de Artur com a dama Guinever, ignorou os pedidos de socorro de sua filha, Aline, em nome de seu amado, sir Miles de Launds, ferido de morte pelo falso cavaleiro Loraine le Savage.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua negligência, o quase-futuro genro, sir Miles, morreu. Aline cometeu suicídio. Novamente – e convenientemente –, os parentescos só foram revelados depois da desgraça. Sir Pellinore ainda revelava familiaridade com o nepotismo, ao dar uma mãozinha para que seu filho bastardo, sir Tor (a criança gerada do estupro no começo do parágrafo anterior) fosse sagrado cavaleiro antes de sir Badgemagus, que tinha mais tempo de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artur representa, para os bretões, a epítome do monarca cristão, conforme registrado nas crônicas de “A morte de Artur”, de sir Thomas Malory. Não é a toa. Afinal, o rei “&lt;em&gt;instituiu todos os seus cavaleiros, dando-lhes riquezas e terras, e encarregando-os de jamais operarem afrontosamente, nem assassinarem, e fugirem sempre à traição; e também de modo algum serem cruéis, mas concederem misericórdia a quem a pedisse, sob pena de perderem sua honra e soberania do Rei Artur para sempre; e sempre prestarem socorro às damas, donzelas ou senhoras e jamais violentá-las, sob pena de morte. E que nenhum homem participasse em contendas erradas, nem por amor, nem por qualquer bem mundano&lt;/em&gt;” (1). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso, no entanto, só no capítulo XV do livro III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) MALORY, Thomas. “A morte de Artur”, Editora Thot, 1987.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-115126772168514428?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/115126772168514428/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=115126772168514428&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115126772168514428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115126772168514428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/06/os-gentis-homens-de-camelot.html' title='Os gentis-homens de Camelot'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-115089726852748618</id><published>2006-06-21T06:05:00.000-07:00</published><updated>2006-06-25T11:52:01.816-07:00</updated><title type='text'>Lei do retorno</title><content type='html'>Corroída por dívidas provocadas por anos de má gestão e falcatruas, debatendo-se como afogada no processo judicial de recuperação que pode resultar na decretação de falência, a Varig agora terá suas linhas fatiadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) entre a concorrentes Tam, Gol e BRA. Dividirão a carcaça obedecendo à lei da selva aplicada aos negócios; a mais forte fica com o melhor naco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve melhor sorte que a companhia aérea que canibalizou para expandir suas atividades, a Panair do Brasil. Menos de um ano depois do Golpe de 1º de Abril de 64, despacho assinado pelo então ministro da Aeronáutica, o brigadeiro Eduardo Gomes, cortou as asas da empresa. Curioso que no imaginário popular formatado pelos jornalões, a Panair tenha simplesmente "ido à falência". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que os colegas de teclado tenham ganas de praticar um pouquinho de revisionismo jornalístico, vá lá, mas brigar com os fatos é feio. Entre as aéreas brasileiras, a Panair era a que menos devia ao governo, e sua situação estava longe de "insustentável" como alegava o documento do glorioso patrono das nossas forças aéreas, bastião da democracia entre os milicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cassação da licença da Panair para voar foi a manobra dos militares para detonar dois desafetos importantes - os empresários Celso da Rocha Miranda, amigo de JK, e Mário Wallace Simonsen, amigo de Jango - e dar uma colher de chá para o conterrâneo gaúcho Ruben Berta. Horas depois do despacho de Gomes, o presidente da Varig orgulhosamente garantia que tinha os aviões necessários para cumprir as rotas para Europa e Oriente Médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os donos da Panair bem que tentaram, judicialmente, mostrar que havia jeito para salvar a companhia. Em vão. Na briga nos tribunais, só não valeu dedo no olho. Como os militares tinham o Judiciário nas mãos, não foi difícil arranjar magistrados dispostos a ignorar todos os argumentos em favor da empresa e sepultar logo aquele processo enfadonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso é relatado em detalhes pelo jornalista paulista Daniel Leb Sasaki, em "Pouso Forçado: a verdadeira história da destruição da Panair do Brasil pelo regime militar", Editora Record, 2005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Karma is a bitch&lt;/em&gt;, como dizem os estadunidenses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-115089726852748618?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/115089726852748618/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=115089726852748618&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115089726852748618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/115089726852748618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/06/lei-do-retorno.html' title='Lei do retorno'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-114960673236242178</id><published>2006-06-06T08:09:00.001-07:00</published><updated>2006-06-22T08:29:46.743-07:00</updated><title type='text'>Pormenorizando a farra</title><content type='html'>Em sua edição de junho/06, a respeitável revista &lt;em&gt;Nossa História&lt;/em&gt; traz entrevista de quatro páginas com o decano do jornal &lt;em&gt;O Estado de São Paulo&lt;/em&gt;, Ruy Mesquita. Lá pelas tantas, reclamando da pressão exercida pelo ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci sobre o jornal, que estava na iminência de publicar a entrevista do caseiro Francenildo Costa, Mesquita declara o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Aí, ele brigou mesmo. O Palocci me ligou no domingo de tarde para dizer que ia sair uma entrevista assim, asssado e me pedindo para impedir, porque era tudo mentira. Eu respondi: 'A única coisa que eu te prometo é que ela não saia amanhã. Primeiro, preciso saber do que se trata'. Ele dizia que eram coisas íntimas. Eu afirmei: 'Olha, isso não é material que o Estado use, se tiver esse tipo de coisa, eu garanto a você que não sai. Agora, o resto eu vou ver'. &lt;strong&gt;De fato tinha tinha umas coisas mais pormenorizadas sobre as farras que nós tiramos. O resto, publicamos&lt;/strong&gt;. &lt;/em&gt;(grifo meu)&lt;em&gt; E aí deu no que deu. Para meu supremo desgosto, porque acho que o Brasil perdeu enormemente com a saída dele. Não é o senhor Mantega que vai segurar isso aí."&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do exposto, achei que faltaram duas perguntas ao nobre sr. Mesquitão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira: como é que alguém invoca direito à intimidade quando o assunto em pauta é suruba - no caso, paga com dinheiro público?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda: pormenorizada, a farra nos deixaria mais ou menos revoltados que já estamos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-114960673236242178?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/114960673236242178/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=114960673236242178&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114960673236242178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114960673236242178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/06/pormenorizando-farra.html' title='Pormenorizando a farra'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-114932417809312640</id><published>2006-06-03T01:42:00.000-07:00</published><updated>2006-06-21T10:29:00.170-07:00</updated><title type='text'>Coleguinhas presidentes</title><content type='html'>O jovem tenente teve de vir ao Rio de Janeiro para enfrentar processo na temida Justiça Militar por, juntamente com colegas de caserna, ter participado de uma ação revolucionária frustrada pelas autoridades vigentes. Orgulhoso demais para pedir socorro ao pai, decidiu virar-se escrevendo colaborações para o jornal &lt;em&gt;O Imparcial&lt;/em&gt;. Paralelamente, achou que poderia tirar um trocado extra contando aos moradores da minúscula Taquari, onde nascera, como era a vida de um rapaz de 23 anos na capital federal. Tornou-se titular da coluna &lt;strong&gt;Coisas do Rio&lt;/strong&gt;, em &lt;em&gt;O Taquariense&lt;/em&gt;. Acabou inocentado do processo ao fim de um ano e retornou à vida militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome do jovem tenente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arthur da Costa e Silva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na escola secundária, no Liceu, o menino mostrava vocação para a carreira jornalística. Editava o jornal &lt;em&gt;Folha do Estudante&lt;/em&gt;. Aos 17, passou num concurso e tornou-se repórter do jornal &lt;em&gt;O Imparcial&lt;/em&gt;. Depois de dois anos barra-pesada fazendo cobertura policial, passou a editor do suplemento cultural do jornal, intitulado &lt;strong&gt;Letras e Artes&lt;/strong&gt;. Fundou uma revista chamada &lt;em&gt;A Ilha&lt;/em&gt;, trabalhou como redator no &lt;em&gt;Jornal do Dia&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Combate&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Jornal do Povo&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O Estado do Maranhão&lt;/em&gt; e colaborou com o &lt;em&gt;Diário de Pernambuco&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Correio do Ceará&lt;/em&gt; e nas revistas &lt;em&gt;Clã&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Ilha&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Região&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Ceará&lt;/em&gt;. Aos 22, publicou seu primeiro livro e candidatou-se a deputado federal. Ficou como suplente, assumindo quando o titular da vaga morreu. Alternou as colaborações com o &lt;em&gt;Jornal do Brasil&lt;/em&gt; e as revistas &lt;em&gt;Senhor&lt;/em&gt; e O &lt;em&gt;Cruzeiro&lt;/em&gt;, até começar a lecionar Direito, no qual se formara. Eleito deputado, abandonou de vez a carreira promissora no jornalismo para se dedicar exclusivamente à política. Continuou escrevendo livros, no entanto, que lhe valeram uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome do menino? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José de Ribamar de Araújo Costa, o José Sarney.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem herdeiro de um dos magnatas das comunicações do Nordeste veio morar no Rio de Janeiro para aprender um pouco sobre a vida na cidade que já era não mais a capital federal, mais ainda assim mantinha-se a principal metrópole do País. Os altos contatos de Papai renderam-lhe uma vaguinha no &lt;em&gt;Jornal do Brasil&lt;/em&gt;, durante um de nossos períodos ditatoriais militares. Pela idade, 20 anos, e total falta de experiência em jornalismo, ficou como estagiário, mas chegou a assinar reportagens - coisa que era geralmente reservada aos profissionais. Sentiu um pouco da emoção da rua e Cansou rápido, durou apenas três meses. Saiu para se preparar para o seria a missão de sua vida, que cumpriu dois anos depois: assumir os negócios do pai, seu Arnon.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome do jovem herdeiro? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Affonso Collor de Mello.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-114932417809312640?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/114932417809312640/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=114932417809312640&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114932417809312640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114932417809312640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/06/coleguinhas-presidentes.html' title='Coleguinhas presidentes'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-114918540292863229</id><published>2006-06-01T11:09:00.000-07:00</published><updated>2006-06-04T10:45:30.426-07:00</updated><title type='text'>Presença de espírito</title><content type='html'>Do canalha insistente para a vítima resistente: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mulher, ainda vou te ver pelo espelho do teto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior é que deu certo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-114918540292863229?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/114918540292863229/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=114918540292863229&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114918540292863229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114918540292863229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/06/presena-de-esprito.html' title='Presença de espírito'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-114887905402645693</id><published>2006-05-28T22:03:00.000-07:00</published><updated>2006-05-28T22:29:38.980-07:00</updated><title type='text'>O outono de um terrorista moderado</title><content type='html'>Do repórter Gideon Levy, no principal jornalão liberal israelense:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Israel has already missed the Abu Mazen train and he is now the Palestinian Shimon Peres: It's pleasant to talk to him but what he says no longer has much influence or significance.&lt;/em&gt;"(1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: o Ha'aretz(2) é a melhor opção de jornal para saber a respeito do conflito Israel-Palestina, por ser menos afinado com o governo de milicos de Eretz Israel e seus ideais do que os concorrentes, The Jerusalem Post(3) e o Yedioth Ahronoth(4). Pelos poucos artigos que li traduzidos, o Maariv também é equilibrado; online, só há versão em hebraico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) "&lt;em&gt;Game theory&lt;/em&gt;", Ha'aretz, 14/5/2006, em http://www.haaretz.com/hasen/spages/715444.html&lt;br /&gt;(2) http://www.haaretz.com/&lt;br /&gt;(3) http://www.jpost.com/&lt;br /&gt;(4) http://www.ynetnews.com/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-114887905402645693?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/114887905402645693/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=114887905402645693&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114887905402645693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114887905402645693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/05/o-outono-de-um-terrorista-moderado.html' title='O outono de um terrorista moderado'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-114862187074227104</id><published>2006-05-25T22:36:00.000-07:00</published><updated>2006-05-26T11:18:29.163-07:00</updated><title type='text'>Profissão de fé</title><content type='html'>Do filósofo afro-estadunidense Tracy Marrow: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Freedom of Speech, let'em take it from me&lt;br /&gt;Next they'll take it from you,&lt;br /&gt;then what you gonna do?&lt;br /&gt;Let'em censor books, let'em censor art&lt;br /&gt;(...) this is where the witch hunt starts.&lt;br /&gt;You'll censor what we see, we read, we hear, we learn...&lt;br /&gt;The books will burn.&lt;br /&gt;You better think it out,&lt;br /&gt;we should be able to say anything, &lt;br /&gt;our lungs were meant to shout.&lt;br /&gt;Say what we feel, yell out what's real,&lt;br /&gt;even though it may not bring mass appeal.&lt;br /&gt;Your opinion is yours, my opinion is mine.&lt;br /&gt;If you don't like what I'm sayin', fine.&lt;br /&gt;But don't close it, always keep an open mind.&lt;br /&gt;A man who fails to listen is blind.&lt;br /&gt;We only got one right left in the world today,&lt;br /&gt;let me have it or throw The Constitution away.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço saber aos eventuais leitores que tive o cuidado de selecionar, na obra máxima deste pensador em estado bruto, a única estrofe (entre as quatro que compõe a canção) que não possuía as palavras &lt;em&gt;bitch&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;fuck&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;shit&lt;/em&gt; ou algum de seus derivativos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-114862187074227104?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/114862187074227104/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=114862187074227104&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114862187074227104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114862187074227104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/05/profisso-de-f.html' title='Profissão de fé'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-114860981862015657</id><published>2006-05-25T19:16:00.000-07:00</published><updated>2006-06-22T05:44:53.343-07:00</updated><title type='text'>Oh Lord, we've gotta keep the faith</title><content type='html'>Que o Presidente da República, mr. Da Silva, é o primeiro operário a ocupar o cargo, todos já cansaram de ouvir. Não só ao longo da eleição como após sua escolha nas urnas pelos decantados 50 e tantos milhões de cidadãos (que hoje em dia andam falando de lado e olhando pro chão, como cantava o Chico Buarque em 1960 e poucos). Quando os marqueteiros tucanos entoavam esse cântico na esperança de assustar o suficiente o mercado financeiro para que o rejeitasse, faltou um petista de bom senso para rebater:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26 doutores e 15 milicos de elevada patente não deram jeito nessa bagunça chamada Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alarmados, preferiram vender um molusco falsificado a correr o risco de ver seu produto rejeitado por falta de qualidade, e estamos vendo no que deu. Enquanto nas propagandas o partido juntava de pés juntos que ele continuava o mesmo daquela malfadada eleição de 1989, nos bastidores ele e seus colegas mais próximos aprendiam os verdadeiros caminhos do poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem escondida a coisa foi. A tal “transição civilizada” equivaleu a os tucanos abriram a caixa-preta e mostrarem quão fundo ia o poço e os petistas replicarem: “isso é muito feio pros nossos eleitores verem agora, deixa pra lá”. E simplesmente nunca mais se tocou no assunto, como bons cavalheiros, até que seja necessário usar isso em uma luta política.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Caso sobreviva ao primeiro mandato, como aparentemente ocorrerá, avolumam-se as possibilidades de que não chegue ao fim do segundo, devido ao escândalo que se condicionou chamar, por esperta manobra do então deputado Roberto Jefferson, do “mensalão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se impichado for, será o segundo a ter tal destino na lista de 41 pessoas que já exerceram – ainda que em mandatos-tampão ou por meio de triunviratos, só excluindo as interinidades ocasionais devido a viagens – os poderes supremos do Poder Executivo no Brasil. E o segundo em apenas quatro na presidências na pós-redemocratização de 1985. O primeiro é Fernando Collor de Mello, de nefasta lembrança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que, aliás, derrotou Lula em sua primeira tentativa de se eleger. A vida não é irônica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar que para o caminho acabou porque o operário não deu certo, por outro lado, é dar muito pouco crédito aos homens e mulheres oriundos dos muitos ramos profissionais (lembrando que 36,58536% dos referidos era de carreira militar, dois deles eleitos pelo voto direto) que até hoje não tiveram chance de ocupar a presidência da República. Falta também muito chão a percorrer (50% por cento dos territórios do País, excetuando-se o Distrito Federal) para achar um bom candidato. Difícil vai ser achá-lo a tempo da próxima, em 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas contemos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora, foram 20 juristas (11 advogados, seis promotores públicos, um juiz, um delegado de polícia e um que acabou preferindo o jornalismo), dois médicos, um economista (que também preferiu o jornalismo), um engenheiro e um sociólogo, mais os três marechais, nove generais, dois almirantes e um brigadeiro. Lideram a contagem os gaúchos e os mineiros, com sete nomes; são seguidos pelos cariocas, com seis; os paulistas têm quatro; alagoanos, três; Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Paraíba e Santa Catarina, dois; Pernambuco e Rio Grande do Norte, um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em algum lugar, deve haver. Não desistam de procurar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-114860981862015657?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/114860981862015657/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=114860981862015657&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114860981862015657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114860981862015657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/05/oh-lord-weve-gotta-keep-faith.html' title='Oh Lord, we&apos;ve gotta keep the faith'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-114857920061979149</id><published>2006-05-25T10:45:00.000-07:00</published><updated>2006-05-26T11:11:40.563-07:00</updated><title type='text'>Três gerações de banditismo</title><content type='html'>Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, chefe da facção criminosa autodenominada Primeiro Comando da Capital (PCC), virou celebridade e impressiona os psicólogos que o entrevistam por ser uma raridade no meio da bandidagem: apesar de criminoso desde os 9 anos, mantém-se "autodeterminado, lúcido e assertivo"(1). Trata-se de um espécime tão singular que, no mundo dos vivos, encontra-se hoje em dia apenas mais uns dois, possivelmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um deles é William da Silva Lima, o Professor, assaltante de bancos e ideólogo da antiga Falange Vermelha, que originou a primeira facção criminosa organizada do País, o Comando Vermelho. O outro, Luis Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, traficante que de chefe de uma boca de fumo na favela de Caxias que lhe emprestou o apelido chegou ao posto de principal ligação com os cartéis colombianos, essenciais para a obtenção de cocaína de qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisando-os em conjunto, percebe-se uma espécie corrente evolutiva da bandidagem brasileira pós-golpe de 1964. Até então, os bandidos brasileiros eram os românticos das décadas de 1920 e 1930, como o gatuno italiano Gino Amleto Meneghetti, que invadia casas pulando pelos telhados, mas não usava arma, e os terríveis facínoras dos anos 1950, que atendiam por apelidos pitorescos como Coisa Ruim, Praga de Mãe e Tião Medonho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acusados de uma aproximação que verdadeiramente não tiveram com os presos políticos – na Ilha Grande, os militantes pediram e conseguiram que fosse erguido um muro para separá-los(2) –, os fundadores da Falange Vermelha, comandados por Professor, representaram a primeira vertente politizada do crime organizado brasileiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admitiam ser transgressores da lei, exercitavam a violência com seletividade (para punir os excessos dos subordinados, geralmente, e acertar as contas com rivais) e exigiam dos poderes constituídos um tratamento condizente. Ou seja, isolamento da sociedade mediante o encarceramento, vá lá; tortura e condições insalubres de vida (superlotação das celas e comida podre, por exemplo), nem pensar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a bandeira da "Paz, Justiça e Liberdade" para os bandidos, o CV deixou a Ilha Grande, onde nasceu em 1979, na rebelião contra a arquinimiga Falange Jacaré - que mais tarde daria lugar ao rival Terceiro Comando. Ganhou as favelas do Rio realizando pequenas e médias benfeitorias para os moradores, em troca do apoio contra a polícia, da mesma forma que os &lt;em&gt;mafiosi&lt;/em&gt; sicilianos, nos primórdios, se defendiam das autoridades de Roma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltou repassar devidamente a ideologia aos jovens viciados em cocaína que sucederam os patronos do CV, e a facção rapidamente descambou para a mercantilização radical do tráfico de drogas, atividade clandestina transnacional de alta lucratividade. Foi nesse panorama que surgiu Fernandinho Beira-Mar, que aproveitou os contatos de seu principal fornecedor, Leomar de Oliveira Barbosa, o Leozinho, para subir os degraus da escada corporativa do tráfico e se tornar inicialmente fornecedor de ambas as facções, sem distinção. Desta maneira, alcançou fama internacional(3), sendo apelidado pela mídia americana de "Freddy Seashore".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversão de Beira-Mar ao Comando Vermelho foi estritamente business, nada a ver com fatores filosóficos. Seu maior rival na primazia dos contatos com os colombianos era o chefe do Terceiro Comando Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê. Em 1994, ao assassinar Orlando da Conceição, o Orlando Jogador, chefe do tráfico no Complexo do Alemão, Uê enfureceu a ala juvenil do CV e chegou a provocar um racha (surgiu um CV "Jovem", mais cruel e marketeiro) que só anos depois foi sanado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua execução na rebelião de 11 de Setembro de 2002, em Bangu, atendeu portanto aos interesses comerciais de Beira-Mar e ao senso de justiça de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, sucessor de Orlando Jogador. Uma vez concretizada, a vingança tornou o menino pobre de Caxias o símbolo do traficante capitalista brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo em que resgata a tradição "politizada" herdada do Comando Vermelho, no qual o PCC foi confessadamente inspirado, Marcola tem uma vantagem sobre o Professor: na época em que os bandidos começaram a se organizar, o Estado detinha o monopólio da violência em larga escala. Décadas de investimento em armamento pesado depois, por parte dos bandidos, e de um combate difuso e essencialmente reativo por parte dos governos, as posições se inverteram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estimulados pelo espírito de revanche contra os esquadrões da morte das polícias, os traficantes agora são o martelo, e os favelados, a bigorna. Nós, coitados, estamos no meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) "O homem que parou São Paulo", por Lourival Sant'Anna, O Estado de São Paulo, 21/5/2006.&lt;br /&gt;(2) AMORIM, Carlos. "CV-PCC: A Irmandade do Crime", Editora Record, 2003. LIMA, William da Silva. "Quatrocentos contra um: uma história do Comando Vermelho", Labortexto, 2001.&lt;br /&gt;(3) &lt;em&gt;International Narcotics Control Strategy 2001&lt;/em&gt;, disponível em http://www.state.gov/p/inl/rls/nrcrpt/2001/rpt/8476.htm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-114857920061979149?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/114857920061979149/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=114857920061979149&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114857920061979149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114857920061979149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/05/trs-geraes-de-banditismo.html' title='Três gerações de banditismo'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-114849584296906818</id><published>2006-05-24T08:02:00.000-07:00</published><updated>2006-05-26T11:11:11.723-07:00</updated><title type='text'>Melhor amigo do homem</title><content type='html'>Você chega em casa e lá está ele, abanando o rabo, pronto para te receber. Você senta no sofá, liga a TV e lá está ele, deitado, acompanhando o programa sem reclamar, nem que seja a reprise daquele jogão entre Ferroviário X Ipatinga. Você abre a sua cerveja, e ele... fica a ver latinhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a cena lhe é familiar, fique tranqüilo. Você poderá fazer do seu cachorro um companheiro de copo com a nova Happy Tail Ale, a primeira cerveja para o público canino do mundo(1). Produzida pela Dog Brewing Star Company, a cerveja para cachorros foi desenvolvida a partir de testes com o Akita de estimação da empresa, chamado Kodiak Bear (Urso Kodiak).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ausência de álcool pode tirar 96,7% da graça de ver o seu cachorro beber uma cerveja, mas pelo menos você não vai ser importunado pela Sociedade Protetora dos Animais (Suipa). Aprovado por Kodi, a cerveja canina está sendo comercializada em pelo menos 27 endereços eletrônicos, encontrados no site da empresa. A tradicional six-pack (pacote com seis garrafas long neck) custa US$ 9,99, mais taxas de envio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lançamento revolucionário já apareceu em jornais, TVs e rádios americanas, e no blog Oddly Enough, da Reuters(2).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) &lt;em&gt;Dog Brewing Star Company&lt;/em&gt;, em http://www.beerfordogs.com/index.html&lt;br /&gt;(2) &lt;em&gt;Oddly Enough&lt;/em&gt;, por Robert Basler, em http://blogs.reuters.com/category/themes/oddly-enough/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-114849584296906818?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/114849584296906818/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=114849584296906818&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114849584296906818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114849584296906818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/05/melhor-amigo-do-homem.html' title='Melhor amigo do homem'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-114847777703705994</id><published>2006-05-24T06:20:00.000-07:00</published><updated>2006-05-26T11:10:34.206-07:00</updated><title type='text'>Consultor de RH</title><content type='html'>Democrata texano com vocações militaristas, o deputado Charlie Wilson recebeu certa vez a visita do então diretor da CIA (1981-1987), William Joseph Casey, em seu escritório em Washington(1). Maravilhado, o espião-chefe dos EUA não resistiu e teceu comentário sobre a beleza das assistentes do parlamentar. Disse-lhe Wilson: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Bill, é possível ensiná-las a datilografar, mas não a ter seios bonitos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) BEARDEN, Milton, e RISEN, James. "O Grande Inimigo - A História Secreta do Confronto Final entre CIA e KGB (&lt;em&gt;The Main Enemy: The Inside Story of the Story of the CIA's Final Showdown with the KGB&lt;/em&gt;)", Editora Objetiva, 2003.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-114847777703705994?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/114847777703705994/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=114847777703705994&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114847777703705994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114847777703705994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/05/consultor-de-rh.html' title='Consultor de RH'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-114840993494734172</id><published>2006-05-23T11:45:00.002-07:00</published><updated>2006-05-26T10:56:13.796-07:00</updated><title type='text'>Déjà vu</title><content type='html'>Parece escrito para o Brasil do mensalão, mas é um tango argentino de 1934:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;CAMBALACHE&lt;br /&gt;(Enrique Santos Discépolo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que el mundo fue y será una porquería&lt;br /&gt;ya lo sé...&lt;br /&gt;(¡En el quinientos seis&lt;br /&gt;y en el dos mil también!).&lt;br /&gt;Que siempre ha habido chorros,&lt;br /&gt;maquiavelos y estafaos,&lt;br /&gt;contentos y amargaos,&lt;br /&gt;valores y dublé...&lt;br /&gt;Pero que el siglo veinte&lt;br /&gt;es un despliegue&lt;br /&gt;de maldá insolente,&lt;br /&gt;ya no hay quien lo niegue.&lt;br /&gt;Vivimos revolcaos&lt;br /&gt;en un merengue&lt;br /&gt;y en un mismo lodo&lt;br /&gt;todos manoseaos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¡Hoy resulta que es lo mismo&lt;br /&gt;ser derecho que traidor!...&lt;br /&gt;¡Ignorante, sabio o chorro,&lt;br /&gt;generoso o estafador!&lt;br /&gt;¡Todo es igual!&lt;br /&gt;¡Nada es mejor!&lt;br /&gt;¡Lo mismo un burro&lt;br /&gt;que un gran profesor!&lt;br /&gt;No hay aplazaos&lt;br /&gt;ni escalafón,&lt;br /&gt;los inmorales&lt;br /&gt;nos han igualao.&lt;br /&gt;Si uno vive en la impostura&lt;br /&gt;y otro roba en su ambición,&lt;br /&gt;¡da lo mismo que sea cura,&lt;br /&gt;colchonero, rey de bastos,&lt;br /&gt;caradura o polizón!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¡Qué falta de respeto, qué atropello&lt;br /&gt;a la razón!&lt;br /&gt;¡Cualquiera es un señor!&lt;br /&gt;¡Cualquiera es un ladrón!&lt;br /&gt;Mezclao con Stavisky va Don Bosco&lt;br /&gt;y "La Mignón",&lt;br /&gt;Don Chicho y Napoleón,&lt;br /&gt;Carnera y San Martín...&lt;br /&gt;Igual que en la vidriera irrespetuosa&lt;br /&gt;de los cambalaches&lt;br /&gt;se ha mezclao la vida,&lt;br /&gt;y herida por un sable sin remaches&lt;br /&gt;ves llorar la Biblia&lt;br /&gt;contra un calefón...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¡Siglo veinte, cambalache&lt;br /&gt;problemático y febril!...&lt;br /&gt;El que no llora no mama&lt;br /&gt;y el que no afana es un gil!&lt;br /&gt;¡Dale nomás!&lt;br /&gt;¡Dale que va!&lt;br /&gt;¡Que allá en el horno&lt;br /&gt;nos vamo a encontrar!&lt;br /&gt;¡No pienses más,&lt;br /&gt;sentate a un lao,&lt;br /&gt;que a nadie importa&lt;br /&gt;si naciste honrao!&lt;br /&gt;Es lo mismo el que labura&lt;br /&gt;noche y día como un buey,&lt;br /&gt;que el que vive de los otros,&lt;br /&gt;que el que mata, que el que cura&lt;br /&gt;o está fuera de la ley...&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-114840993494734172?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/114840993494734172/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=114840993494734172&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114840993494734172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114840993494734172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/05/dj-vu.html' title='Déjà vu'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-114840625042286494</id><published>2006-05-23T10:37:00.000-07:00</published><updated>2006-05-26T10:38:59.983-07:00</updated><title type='text'>Delicatessen Bogotá - Temos delivery</title><content type='html'>Agentes da Polícia Federal prenderam o nigeriano Eke Donatus Maduegbuna, de 33 anos, tentando embarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim com oito quilos de cocaína pura escondida em sete pacotes de bombons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde as balas Van Melle, nenhuma guloseima mais é acima de qualquer suspeita...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-114840625042286494?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/114840625042286494/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=114840625042286494&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114840625042286494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114840625042286494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/05/delicatessen-bogot-temos-delivery_23.html' title='Delicatessen Bogotá - Temos delivery'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-114825119195460063</id><published>2006-05-21T15:39:00.000-07:00</published><updated>2006-05-26T10:37:18.046-07:00</updated><title type='text'>Voz da razão</title><content type='html'>O papa da semiótica e da comunicação de massas, Umberto Eco, recusou encontro com o autor de O Código de Da Vinci, Dan Brown, para o qual foi convidado pela cidade natal do inventor "homenageado" no best-seller mais falcatrua das últimas décadas, afirma O Globo Online(1), citando o jornal diário italiano La Reppublica. Disse ainda que o americano é um "farsante que divulga informações falsas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só por ter escrito "Apocalípticos &amp; Integrados", já admirava o cidadão desde a faculdade. Depois dessa, então, subiu muito no meu conceito. Pesquisando por aí, descobri um artigo(2) em que Eco desanca as tais "verdades ocultadas pela Igreja Católica" apregoadas por Brown para conferir alguma credibilidade ao seu embuste. Seu primeiro argumento é a utilização da cascata de Pierre Plantard sobre o Priorado de Sião, e a linhagem Merovíngia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse aspecto da mentirada de Brown foi o tema central de um ensaio que escrevi começo de 2005 - quando decidi mover uma campanha informal e solitária contra o livro e todos os seus derivados - intitulado "O Código da Fraude". Resume-se, com todas as provas provadas possíveis e imagináveis, ao seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Priorado de Sião não é nenhuma ordem milenar. Foi criado em 1956 por um francês meio doido, filho de uma cozinheira e um mordomo, que nutria aspirações à realeza e à divindade - não necessariamente nessa mesma ordem. Com a ajuda de um escritor de aluguel (Gérard De Sède) e um falsificador amador (Phillipe de Chérisey), Plantard criou "documentos" que confirmariam seus desvarios, e plantou-os na Biblioteca de Paris. Para evitar que fosse colocando-os em cofre particular, como ocorre nos bancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plantard tirou a fábula do tesouro do abade Berenger Saunière de uma outra falsificação, esta propagada pelo comprador da tal Villa Bethanie, Noël Corbu, que queria fazer uma propaganda do local onde havia aberto um restaurante. Que golpe de marketing melhor do que um mistério secular? A verdade, no entanto, era bem mais embaraçosa: Saunière fez fortuna vendendo a celebração de missas que não realizava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história é bem conhecida na Europa, tendo sido explorada pelos jornalistas René Descadeillas e Jean-Luc Chaumeil. Em 1993, o próprio Plantard teve de confessar, na presença do magistrado francês Thierry Jean-Pierre, que tudo não passava de uma farsa. Na rede, duas boas fontes de informação (que muito bem me serviram, aliás), foram os sites do português Bernardo Sanchez da Motta(3) e o americano Paul Smith(4).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) "Eco recusa encontro com Dan Brown e o chama de farsante", em http://oglobo.globo.com/online/cultura/plantao/2006/05/20/247333967.asp&lt;br /&gt;(2) "O êxito do Código da Vinci", em http://revistaentrelivros.uol.com.br/Edicoes/6/Artigo10980-1.asp&lt;br /&gt;(3) "Rennes-le-Château e o Priorado de Sião", em http://bmotta.planetaclix.pt/&lt;br /&gt;(4) &lt;em&gt;Paul Smith Priory of Sion Webpage&lt;/em&gt;, em http://priory-of-sion.com/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-114825119195460063?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/114825119195460063/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=114825119195460063&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114825119195460063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114825119195460063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/05/voz-da-razo.html' title='Voz da razão'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-114807403632646089</id><published>2006-05-19T14:25:00.001-07:00</published><updated>2006-05-26T08:13:02.036-07:00</updated><title type='text'>O mundo dá voltas</title><content type='html'>Nos idos de 1987, o ator Patrick Dempsey precisava alugar namorada por um conjuntinho de camurça de 1 mil dólares (quem nunca viu "Namorada de Aluguel/Can't buy me love" na Sessão da Tarde?). Quase 20 anos depois, renasce das cinzas como o neurocirurgião desejado pela mulherada de "Grey's Anatomy", seriado exibido pelo Canal Sony. Nada mal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-114807403632646089?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/114807403632646089/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=114807403632646089&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114807403632646089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114807403632646089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/05/o-mundo-d-voltas.html' title='O mundo dá voltas'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28403104.post-114806977077206801</id><published>2006-05-19T12:11:00.000-07:00</published><updated>2006-05-26T08:11:31.970-07:00</updated><title type='text'>Inspiração religiosa</title><content type='html'>O doutor Cláudio Lembo (governador de São Paulo e sósia do sr. Burns, de Os Simpsons, nas horas vagas), abraçou o lógica do bispo que, em 1209, exortou os cruzados do Papa Inocêncio XII a chacinar os hereges cátaros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Matem todos, Deus reconhecerá os seus".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Representantes da Polícia Militar do Estado que Lembo herdou do sr. Alckmin anunciaram que haveria uma matança de bandidos, em represália aos ataques dos bandidos. Como promessa é dívida, a matança foi perpetrada, em vários locais, nos dias subseqüentes. Alcançou o número de mortos do massacre do Carandiru.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exaurida - ou quase - a fúria vingativa dos valorosos pê-emes, o Governo do Estado afirma que não vai divulgar os nomes dos mortos depois que abrir os inquéritos para investigar os crimes cometidos por eles (1). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de uma reedição/atualização da surrada tática do "atire primeiro e pergunte depois". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando que um dos princípios da investigação é dar ao acusado o direito ao contraditório, valeria perguntar que inquéritos serão esses. Alguém vai tomar depoimento dos cadáveres (muitos dos quais, aliás, serão enterrados apressadamente como indigentes)? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: Lembo é "Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Doutor em Direito, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, e também Professor Titular de Direito Constitucional", segundo o site do Governo do Estado (2), e seu secretário de Segurança Pública, doutor Saulo de Castro Abreu Filho, é mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), onde foi professor, e atuou ainda como promotor de Justiça (3). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegaria mal alegar que desconhecem esses trâmites burocráticos do Direito - diferentemente de nós, pobres leigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) "Uma lista de 107 mortos sem nomes", de Flávio Freire, disponível em http://oglobo.globo.com/jornal/pais/247243597.asp&lt;br /&gt;(2) http://www.saopaulo.sp.gov.br/linha/gabinete_vice.htm&lt;br /&gt;(3) http://www.saopaulo.sp.gov.br/linha/sec_segpubl.htm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28403104-114806977077206801?l=piramide-invertida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/feeds/114806977077206801/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28403104&amp;postID=114806977077206801&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114806977077206801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28403104/posts/default/114806977077206801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://piramide-invertida.blogspot.com/2006/05/inspirao-religiosa.html' title='Inspiração religiosa'/><author><name>Marcio Beck</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05521099132272386589</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_oRp4ztaMW0w/Sn-ulQijwvI/AAAAAAAAAGc/tH3NC14LANk/S220/shadows.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
